Entrevista com Maria Eline Barbosa Oliveira

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Maria Eline

Entrevistada: Maria Eline Barbosa Oliveira

Data de nascimento: 27/02/1949

Biografia: Natural de Pedreiras e residente em Imperatriz desde 1975, Maria Eline Barbosa Oliveira é graduada em Geografia pela Universidade Federal do Maranhão e mestre em Gestão Universitária pela Universidade Federal de Santa Catarina. Teve uma trajetória marcante na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), iniciando como professora e Diretora do Centro de Ensino Superior de Imperatriz (1976). Posteriormente, exerceu os cargos de Vice-Reitora (1996–2002), Reitora (2002) e Pró-Reitora de Pesquisa e Extensão (2003).
Em reconhecimento à sua contribuição à educação e à universidade, recebeu diversos títulos e homenagens: Cidadã de Imperatriz (Câmara Municipal), Diploma de Honra ao Mérito Universitário – Medalha Gomes de Sousa (UEMA), título da Câmara Municipal de São Luís pelos relevantes serviços prestados à educação, Doutora Honoris Causa pela Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL) e a Medalha Professor Zozias Almeida Silva, concedida pela Associação dos Professores da UEMA (APRUEMA).

Assunto: A gestão da UEMA no início dos anos 2000. Da Docência em Imperatriz à Reitoria da UEMA.

Categoria: Memória Institucional

Data: 25 de novembro de 2025

Local: Entrevista conduzida a distância.

Entrevistada: Maria Eline Barbosa Oliveira

Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)

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Origem, Formação e Vocação Acadêmica

Maria Eline Barbosa Oliveira nasceu em 27 de fevereiro de 1949, na cidade de Pedreiras (MA). Mudou-se para Imperatriz em 1975, quando seu esposo, o economista José Ribamar Ferreira Oliveira, assumiu a Secretaria de Planejamento durante uma intervenção no município. É licenciada em Geografia pela Universidade Federal do Maranhão e mestra em Gestão Universitária pela Universidade Federal de Santa Catarina. Menciona a pesquisa e a extensão como elementos fundamentais de sua formação e como experiências práticas que ampliaram sua visão acadêmica. Desde cedo, sentiu-se vocacionada à docência, afirmando que “nasceu professora”, e foi influenciada por educadores dedicados, que reforçaram sua inclinação para o magistério e, posteriormente, para a gestão universitária. Entre as pessoas que marcaram sua trajetória, destaca José Ribamar Fiquene, juiz, professor, ex-reitor da UEMA, ex-governador do Maranhão e prefeito de Imperatriz, cuja atuação estimulou a criação da Faculdade de Educação de Imperatriz, posteriormente integrada à Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), precursora da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Chegada a Imperatriz e os Desafios da Docência na Década de 1970

Ao chegar a Imperatriz, Eline foi convidada a lecionar na recém-criada Faculdade de Imperatriz, instituição marcada por condições extremamente precárias. A biblioteca era composta por livros cedidos por outras instituições, não havia quadro efetivo de professores e muitos docentes acumulavam diversas disciplinas devido à escassez de profissionais. Nesse ambiente desafiador, assumiu diferentes funções, participou da construção do campus e engajou-se na luta pela realização de concursos públicos que garantissem maior estabilidade ao corpo docente. Ao longo dos anos, atuou como Diretora de Curso, Chefe de Departamento e Diretora do Centro de Estudos Superiores de Imperatriz (CESI/UEMA). Esses cargos foram, segundo ela, decisivos para potencializar seu senso de liderança, sua capacidade de diálogo e sua habilidade em desenvolver soluções institucionais diante das limitações existentes.

A Transição para São Luís e o Exercício da Vice-Reitoria (1996 a 2002)

A mudança para São Luís ocorreu quando Eline recebeu o convite formal de Cézar Henrique Santos Pires para compor a chapa na Vice-Reitoria da UEMA. Na capital, sua atuação voltou-se ao acompanhamento dos Centros da Universidade, às visitas a gestores, à orientação de projetos estratégicos e à promoção da articulação acadêmica e administrativa em todas as regiões do estado. Entre 1996 e 2002, sua gestão na Vice-Reitoria foi marcada pela implantação da Educação a Distância em todos os campi, pela criação da Universidade da Terceira Idade (UNITI), pelos programas de capacitação docente, pela realização do Projeto Primeiro Emprego, pela ampliação do quadro de professores por concurso público e pela implantação de cursos sequenciais em Administração, Agronegócio e Metalurgia.

Também acompanhou expansões importantes, como a implantação dos cursos de Medicina Humana, Enfermagem e Obstetrícia em Caxias, a criação dos cursos de Medicina Veterinária e Agronomia na UEMA de Imperatriz, o estabelecimento da sala de videoconferência, a criação do Centro de Estudos Superiores de Açailândia (CESA/UEMA), o Cursinho Grátis voltado a alunos de escolas públicas, a organização do Fórum de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais Brasileiras e a estruturação da Galeria dos Reitores da UEMA.

Nesse período, Eline ressalta a atuação de personalidades fundamentais para o avanço institucional, como o governador José Reinaldo Tavares, que apoiou fortemente a expansão da UEMA; Raimundo Negreiro Vale, assessor da Reitoria; Waldir Maranhão Cardoso, responsável pela ampliação do PROCAD; José Augusto Silva Oliveira, incentivador da pesquisa; Miryan de Magdala Teixeira e Silva e Ana Silva Tavares, que exerceram a administração com eficiência; e Celso Beckman Lago, responsável pela reorganização da Pró-Reitoria de Planejamento.

A Interiorização da Universidade e a Criação de Novos Centros

Durante a Vice-Reitoria, e já em transição para a Reitoria, a política de interiorização ganhou força. A criação do Centro de Estudos Superiores de Santa Inês, por exemplo, enfrentou inicialmente a ausência de instalações adequadas. A solução ocorreu por meio de um acordo de comodato firmado entre o prefeito Valdivino Cabral e a empresa Vale do Rio Doce, permitindo que o campus funcionasse em espaço cedido. Eline também acompanhou a criação do primeiro Projeto de Avaliação Institucional da UEMA, voltado à ampliação do número de mestres e doutores e à preparação da Universidade para os processos de avaliação do MEC. Outro marco foi o surgimento do Núcleo de Educação a Distância (NEAD), atual UEMANET, desenvolvido com apoio técnico de instituições como a Universidade Federal do Mato Grosso. Já o Programa de Acesso Seriado ao Ensino Superior (PASES), implantado em 2000, surgiu como alternativa ao vestibular tradicional, buscando corrigir desigualdades e avaliar o desempenho estudantil de forma contínua.

A Reitoria (2002 a 2003)

A ascensão de Eline à Reitoria ocorreu de forma tranquila, em abril de 2002, após o afastamento do então reitor Cézar Pires, que se candidatou ao cargo de deputado estadual pelo Maranhão, tendo sua nomeação confirmada pela governadora do Estado. Sua gestão priorizou a expansão territorial e a consolidação acadêmica da UEMA. Entre suas principais ações, destaca-se a criação do Núcleo Geoambiental (NUGEO), em 2002, considerado essencial para orientar estudos ambientais relacionados ao estado do Maranhão.

Liderou também a criação do Centro de Estudos Superiores de Carolina, fruto de demanda popular, embora com pouco apoio dos poderes Executivo e Legislativo locais; a criação do Centro de Estudos Superiores de Grajaú, atual Campus UEMA de Grajaú, apoiada pelo prefeito municipal; e a implantação do Centro de Estudos Superiores de Açailândia, decisão tomada pelos conselhos superiores da UEMA e viabilizada por meio da parceria entre o município e a Vale do Rio Doce.

O maior desafio de sua gestão foi a obtenção de infraestrutura adequada para abrigar novos cursos e centros. A visão de futuro que orientava sua administração consistia em expandir o ensino superior para todas as regiões do estado. Entre as conquistas mais significativas, destaca a qualificação profissional de professores das redes públicas estadual e municipal. Uma das decisões mais difíceis foi a intervenção para impedir uma invasão residencial de grande extensão no campus-sede, que ameaçava a integridade patrimonial da Universidade.

A UEMASUL e o Futuro Institucional

Embora não tenha integrado a administração da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (UEMASUL), Eline avalia o desmembramento como uma medida de descentralização administrativa e acadêmica que proporcionou maior autonomia regional. Para ela, UEMA e UEMASUL convivem de forma harmônica, como instituições irmãs mantidas pelo Governo do Estado. Defende, contudo, maior cooperação e coparticipação entre ambas, de modo a fortalecer o desenvolvimento estadual por meio de projetos conjuntos.

Conselhos para as Novas Gerações

Para as novas gerações que hoje constroem a história da UEMA, deixa o seguinte conselho:

“Que se pautem por compromissos como representantes da comunidade acadêmica, e não pela sensação de se sentirem donos da instituição.”

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