Entrevista João Aureliano de Lima Filho

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Joao Aureliano De Lima Filho

Entrevistado: João Aureliano de Lima Filho

Data de nascimento: 24 de dezembro de 1950

Relação com a história da UEMA: João Aureliano ingressou na instituição em 1981 como docente, construiu uma trajetória acadêmica marcada pela orientação de 144 monografias do Curso de Engenharia Civil e exerceu o cargo de diretor do Curso de Engenharia Civil no período de 2016 a 2025.

Biografia: Graduado em Engenharia Civil pelo Centro Tecnológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 1975, João Aureliano de Lima Filho possui especialização em Engenharia de Segurança e do Trabalho, pela Fundacentro/UEMA (1984), e especialização em Engenharia dos Transportes, pela Universidade Federal do Maranhão (1994). Ingressou como docente na Universidade Estadual do Maranhão em 1981, ainda no período de transição da FESM para a UEMA, atuando como professor titular do Curso de Engenharia Civil, no qual ministrou disciplinas como Materiais, Construção Civil, Construção de Edifícios, Equipamentos de Construções e Planejamento de Construções. Ao longo de sua trajetória acadêmica, orientou 144 trabalhos de conclusão de curso e exerceu o cargo de diretor do Curso de Engenharia Civil da UEMA/CCT no período de 2016 a 2025, contribuindo de forma decisiva para o fortalecimento do curso, a valorização do mérito acadêmico e a formação de gerações de engenheiros civis.

DADOS DA ENTREVISTA

Assunto: Gestão acadêmica no curso de Engenharia Civil do CCT/UEMA: formação humana, experiências e aprendizados.

Categoria: Memória Institucional

Data da entrevista: 06 de fevereiro de 2026.

Local: Entrevista conduzida presencialmente na direção do curso de Engenharia Civil CCT/UEMA, São Luís – MA.

Entrevistado: João Aureliano de Lima Filho

Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)

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IDENTIFICAÇÃO, FORMAÇÃO E RAÍZES FAMILIARES
 
Na entrevista realizada no Centro de Ciências Tecnológicas da UEMA, o professor João Aureliano de Lima Filho, nascido em 24 de dezembro de 1950, em Natal -RN, é filho de João Aureliano de Lima e Inês Irene de Lima. Formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN em 1975, em uma trajetória marcada desde cedo pelo gosto pela matemática, que naturalmente conduzia os estudantes para a engenharia. Relata ainda um episódio simbólico da juventude: estudou em colégio salesiano e chegou a cogitar o sacerdócio, mas consolidou sua escolha pela Engenharia Civil, área na qual atuaria tanto na iniciativa privada quanto no serviço público e, sobretudo, na docência universitária.
 
 
CHEGADA AO MARANHÃO E INÍCIO DA CARREIRA PROFISSIONAL
 
A vinda para São Luís ocorreu em julho de 1980, quando já era engenheiro, com cinco anos de formado. Ele conta que estava trabalhando em Salvador e foi deslocado por sua empresa, a Tecnosolo, para atuar na Ferrovia Carajás, com atividades na região da Presa do Porco, entre Santa Inês e Santa Luzia, no Maranhão. No início da vida profissional, antes de se consolidar em outras instituições, afirma ter trabalhado em empresas próprias: a EPI – Empresa de Planejamento e Indústria, Aureliano Associados S/C e a SCI Engenharia Ltda. No Maranhão, veio por meio da Tecnosolo e, depois, entrou na Estela Engenharia, empresa maranhense, como diretor técnico, além de forte atuação em órgãos públicos, citando experiências no DER/MA – Departamento de Estradas do Maranhão, SETOP/MA – Secretaria de Transportes e Obras Públicas do Maranhão, COHAB/MA – Companhia Habitacional do Maranhão, SEPLAN/MA – Secretaria de Planejamento do Estado do Maranhão e na Casa Civil do Maranhão. Essa vivência híbrida, entre obra, gestão pública e sala de aula, atravessa toda a sua trajetória profissional.
 
 
ENTRADA NA UEMA NA TRANSIÇÃO FESM–UEMA E DIAGNÓSTICO DA INFRAESTRUTURA E RECURSOS DA ÉPOCA
 
O ingresso na UEMA é descrito como resultado de circunstâncias técnicas e de confiança profissional. Durante uma consultoria na Barragem do Bacanga, em que atuava pela Tecnosolo, foi fiscalizado pelo professor Arionívio Siqueira Freire. Nesse contexto, com a saída do professor Caldeira para o mestrado na França, João Aureliano foi convidado a assumir a disciplina Materiais I, iniciando com regime de 12 horas, como professor convidado. Ele localiza com precisão simbólica sua chegada: setembro de 1981, ainda com carteira assinada pela FESM, portanto vivenciando a transição institucional para a UEMA.
Ao rememorar o curso e o campus naquele período, descreve dificuldades concretas de infraestrutura e recursos didáticos, chegando a mencionar carências básicas. Para sanar limitações e melhorar o processo de ensino, adotava ferramentas como o retroprojetor, que era um recurso moderno na época, que conseguia com apoio do órgão em que trabalhava, e relata que essa preocupação com didática e clareza o acompanhou por toda a carreira. Ao comparar passado e presente, reconhece evolução significativa: melhores instalações, mais estrutura e ambiente acadêmico mais robusto.
 
 
SOBRE O BONDINHO DA UEMA
 
João Aureliano afirmou que presenciou o funcionamento do bondinho da Universidade Estadual do Maranhão e o considerava um marco histórico e simbólico do campus, não apenas como meio de transporte interno, mas como parte da identidade da UEMA. Defendeu que o bondinho fosse revitalizado por meio de uma proposta realista, reaproveitando apenas alguns trechos do percurso original, com poucas estações, de modo a resgatar a memória institucional sem a necessidade de reconstrução integral.
Ele relatou que participou de uma comissão criada pela Reitoria, sob a gestão do reitor Walter Canales Sant’Ana, na qual apresentou essa ideia. Para o professor, mesmo que o bondinho não voltasse a operar plenamente, mantê-lo restaurado, ainda que de forma estática, já teria grande valor histórico, educativo e cultural, reafirmando que preservar o passado é fundamental para projetar o futuro da Universidade.
 
 
DOCÊNCIA EM ENGENHARIA CIVIL NA UEMA: DISCIPLINAS E VISÃO FORMATIVA
 
João Aureliano afirma ter sido professor de oito disciplinas ao longo da carreira, iniciando por Materiais e avançando para componentes que combinavam técnica e formação gerencial do engenheiro. Ele cita explicitamente disciplinas como Materiais I, Construção Civil, Introdução à Engenharia Civil, Economia para Engenharia, Planejamento e Gestão de Obras e Administração de Empresas, além de referências a conteúdos associados a portos e vias navegáveis.
Sua filosofia docente aparece de modo consistente: “quando o aluno quer aprender, o professor não deve criar barreiras, mas viabilizar o caminho”. Para ele, a função de um curso de Engenharia Civil é formar um profissional tecnicamente competente, porém capaz de agir com responsabilidade, ética e visão de sociedade. Essa perspectiva ganha força quando comenta a transformação do perfil discente: lembra que sua geração usava instrumentos hoje impensáveis, enquanto o aluno contemporâneo depende de notebook, celular e internet para estudar e produzir. Essa dependência, em sua visão, exige atenção institucional, pois cria desigualdade de condições e risco de evasão silenciosa.
 
 
DIREÇÃO DO CURSO DE ENGENHARIA CIVIL: PREMIAÇÕES, CULTURA DE MÉRITO E VALORIZAÇÃO DA COMUNIDADE
 
O professor Aureliano relata ter assumido a Direção do Curso de Engenharia Civil em 2016, permanecendo por aproximadamente dez anos, até 2025, quando se aposentou compulsoriamente ao completar 75 anos, encerrando um vínculo de cerca de 44 anos com a UEMA. Ele identifica sua gestão como um período de dinamização do curso, especialmente por meio de um programa estruturado de premiações que, no relato, se torna um mecanismo pedagógico de estímulo e pertencimento.
As premiações, segundo ele, organizavam-se em três pilares. O primeiro pilar era o merecimento, voltado ao desempenho acadêmico consistente: premiação destinada a estudantes do sexto ao décimo período que nunca foram reprovados e mantinham coeficiente de rendimento (CR) igual ou superior a 8. O segundo pilar era o reconhecimento, voltado aos egressos que se destacaram profissionalmente, tanto na iniciativa privada quanto no setor público, funcionando como vitrine de trajetórias inspiradoras e reforço do valor do curso no mundo real. O terceiro pilar era a gratidão, concebido para reconhecer professores, funcionários e colaboradores que contribuíram para a qualidade do curso e a vida acadêmica cotidiana.
Ele dimensiona a abrangência do programa com números aproximados: menciona algo em torno de 10 premiações ao longo do período de sua gestão, com cerca de 180 alunos premiados, além de aproximadamente 70 egressos e 70 homenageados na categoria gratidão, indicando uma política continuada de valorização que, em sua leitura, ajudou a fortalecer a cultura acadêmica e o vínculo institucional.
 
 
AVALIAÇÃO DOCENTE E GESTÃO BASEADA EM ESCUTA E MELHORIA PEDAGÓGICA
 
Outro eixo central da gestão foi a criação de um mecanismo sistemático de avaliação do docente pelos alunos. João Aureliano descreve a aplicação de enquetes extensas, chegando a mencionar um conjunto de perguntas sobre aspectos como cumprimento de ementa e práticas didáticas. Ele enfatiza que o processo tinha tratamento cuidadoso: sigilo na identificação, análise por classificação e, principalmente, devolutiva pedagógica. Quando um professor aparecia com desempenho inferior, relatou que buscava conversar pessoalmente para estimular a melhoria da didática e da postura, sem expor nomes e sem criar competição pública, porque isso geraria identificação indireta dos “piores” em desempenho nessa avaliação. Nesse ponto, ele diferencia papéis: o diretor, para ele, é o canal direto com os alunos, enquanto a chefia de departamento se relaciona mais diretamente com os docentes, e a boa gestão depende dessa engrenagem funcionando com equilíbrio.
 
 
HONRARIAS, LEGADO ACADÊMICO E A MARCA DA ORIENTAÇÃO DE TCCS
 
Entre os dados de que mais se orgulha, João Aureliano destaca ter orientado 144 monografias/TCCs, número que apresenta como um dos maiores legados de sua carreira acadêmica. Soma a isso um conjunto expressivo de homenagens concedidas pelos estudantes como reconhecimento espontâneo da qualidade da docência. Relata ter sido paraninfo 10 vezes, homenageado 7 vezes, ter sido escolhido para nome de turma 5 vezes e patrono 3 vezes, totalizando 25 distinções. Para ele, esse conjunto sintetiza o sentido da docência em Engenharia Civil: formar, orientar, cobrar com justiça e apoiar no momento certo.
 
 
O ALUNO INCENTIVADO E O TCC DAS IGREJAS HISTÓRICAS DE SÃO LUÍS
 
A entrevista registra um caso que, no discurso do professor, funciona como ícone da formação que ele defende. Durante a pandemia, percebeu que muitos alunos estavam travados na fase final do curso, especialmente no TCC, por razões emocionais e psicológicas. Ele relata que a direção atuou para resgatar estudantes, citando algo em torno de 15 a 20 alunos que estavam paralisados e foram convencidos a retomar e concluir.
Nesse contexto, aparece o exemplo do aluno que produziu um trabalho extraordinário sobre todas as igrejas antigas de São Luís, com análise aprofundada de diagnóstico, patologias estruturais e propostas de solução. O professor compara o padrão esperado de um TCC, algo como 60 a 80 páginas, com o resultado que considera fora da curva, com 330 páginas. Ele menciona, inclusive, que esse aluno registrou agradecimento explícito ao professor Aureliano na monografia pelo incentivo recebido. O caso, para João Aureliano, demonstra que a Engenharia Civil pode dialogar com patrimônio histórico, inspeção, conservação e técnica aplicada, desde que o curso estimule pesquisa com propósito e orientação consistente.
 
 
EX-ALUNOS: DOCENTES NA UEMA, LIDERANÇAS E DESTAQUE FORA DA UNIVERSIDADE
 
João Aureliano associa parte do sucesso do curso à trajetória dos egressos. Ele menciona com orgulho ex-alunos que retornaram como docentes já titulados, citando Eduardo Aguiar, Rodrigo Neves, Cres, Fernando Demétrio, Rogério Frade e Adriana Carvalho, entre outros. Para ele, essa volta como professor representa um ciclo virtuoso: o curso forma, o egresso se qualifica e retorna para elevar o padrão institucional.
Além da docência, também aponta ex-alunos que se destacaram em carreiras públicas e concursos, reforçando que há estudantes da Engenharia Civil da UEMA que figuram entre os melhores colocados em seleções. Menciona, por exemplo, um caso de primeiro lugar em concurso na Assembleia Legislativa do Piauí, e cita ex-alunos que ocupam cargos de destaque no governo, como Márcio Machado, apontado como secretário, e Cazé, também secretário, destacando que esses encontros costumam vir acompanhados de respeito e “reverência”, que ele entende como homenagem à UEMA, mais do que ao indivíduo.
 
 
CONTRIBUIÇÃO DETALHADA PARA O CURSO DE ENGENHARIA CIVIL DA UEMA CAMPUS BACABAL
 
A participação na implantação e consolidação do curso de Engenharia Civil em Bacabal aparece como contribuição direta e prática. João Aureliano relata uma viagem e reuniões com a direção local, descrevendo que Bacabal, por ainda não possuir laboratórios plenamente instalados, passou a operar em integração com a estrutura de São Luís. Ele afirma que o curso de Bacabal segue o PPC de São Luís e que a recepção de equipes do campus, no ano anterior, serviu para apresentar a organização acadêmica, alinhar diretrizes e reforçar práticas formativas.
A dimensão mais operacional da contribuição está na solução de infraestrutura de práticas: enquanto Bacabal não dispõe de laboratórios próprios, estudantes realizam atividades nos laboratórios de solos, concreto e topografia, em São Luís, organizando treinamento e acesso. Paralelamente, o professor enfatiza o papel do SENAI como alternativa de prática profissionalizante, citando um programa que, segundo ele, já alcançou mais de 500 alunos e mais de 25 cursos, incluindo áreas como alvenaria, energia alternativa, formas, hidráulica e elétrica. A proposta foi conectada a Bacabal como estratégia para que os alunos realizem capacitações válidas como atividades complementares e ganhem repertório prático, inclusive com a possibilidade de uso do laboratório de Construção Civil do SENAI de Bacabal, enquanto a infraestrutura universitária não se completa. Ele reforça que também participou da viabilização institucional, afirmando que, em instâncias colegiadas, votou pela criação/instalação do curso em Bacabal, que considera uma região estratégica, inclusive pelo contexto econômico ligado à pecuária.
 
 
OBRAS MARCANTES COMO ENGENHEIRO
 
No campo profissional, João Aureliano afirma ter acumulado, em currículo, cerca de 430 mil m² em atividades como engenheiro, supervisor, fiscal e coordenador. Entre as obras emblemáticas, destaca intervenções na Ferrovia Carajás, em 1980, citando a execução de cortinas atirantadas em trecho identificado por 334, no lugar chamado Presa do Porco, e ressaltando que a permanência da estrutura ao longo do tempo é, para ele, prova de qualidade técnica e de execução bem-feita.
 
O ponto mais simbólico do relato profissional é a participação na visita do Papa João Paulo II, em agosto de 1991, quando atuou como coordenador do Papódromo em São Luís. Ele descreve a experiência como uma honra e afirma que conseguiu cumprimentar o Papa e que existe registro fotográfico desse encontro. Descreve a presença de João Paulo II como algo de forte impacto, associado a energia e simplicidade, inclusive no modo como o Papa cumprimentava as pessoas, começando pelos mais simples, que poderiam ser considerados os “menos importantes” quando se encontravam enfileiradas hierarquicamente para cumprimentá-lo. Conta isso aos alunos.
Ele também cita a coordenação de um grande conjunto de obras na área da saúde, envolvendo 64 hospitais de 20 leitos, 5 hospitais de 50 leitos e 10 UPAs, destacando um aprendizado típico da engenharia de execução: projetos padronizados não geram obras iguais, porque cada cidade impõe logística, mão de obra, apoio e condições próprias. Relata ainda que coordenava uma equipe ampla, com dezenas de engenheiros e técnicos, encarando esse ciclo como experiência de gestão e engenharia aplicada.
No DER/MA, participou do Projeto Nordeste, no qual implantou várias estradas vicinais na Baixada Ocidental Maranhense.
Na SETOP/MA, coordenou o PREMERE – Programa de Melhoramento e Recuperação de Rodovias do Maranhão, entre elas: Vitorino Freire a Paulo Ramos (MA-119) e Pinheiro a Cururupu (MA-006).
Na SEPLAN/MA, no planejamento de infraestrutura, coordenou o SISPCA – Sistema Informatizado de Planejamento, Coordenação e Avaliação, principal instrumento de apoio operacional e gerencial do Sistema Estadual de Planejamento, Orçamento e Coordenação – SEPOC.
 
 
CREA, COFEA, PL E INSERÇÃO NACIONAL DA UEMA NO SISTEMA PROFISSIONAL
 
A entrevista atribui à UEMA um papel institucional relevante no sistema profissional da engenharia. João Aureliano afirma que a Universidade é uma das entidades precursoras no sistema CONFEA/CREA/MÚTUA, que descreve como confederação ligada ao universo CREA, mencionando a existência de quatro dezenas de entidades. Afirma ainda que a UEMA é a coordenadora da Macrorregião Nordeste, onde estão 15 dessas entidades, com esse status no país. Ele destaca que esse vínculo e a participação em encontros e reuniões contribuem para projetar o nome da UEMA em nível nacional.
Nesse mesmo bloco, menciona atuação em discussões legislativas, referindo-se a uma proposta de lei (PL 1024/2020) que buscaria atualizar o marco regulatório da profissão e substituir a Lei 5.194, apontando participação em articulações e envio de correspondências a instâncias da Câmara Federal, onde foi aprovada a sugestão da Macrorregião NE, e também foi enviada à CCJ do Senado, para apreciação. A fala, do ponto de vista do depoimento, reforça que ele entende a Engenharia Civil como profissão que depende de regulação moderna, representação institucional e políticas públicas estruturantes e que a Universidade, quando atua nesses espaços, fortalece toda a categoria.
 
 
MERCADO DE TRABALHO, SALÁRIO E A ENGENHARIA CIVIL COMO POLÍTICA PÚBLICA
 
João Aureliano avalia que o mercado atual paga abaixo do que seria razoável para um engenheiro recém-formado, citando referência ao piso salarial e à sua defasagem na prática. Interpreta a queda de atratividade como consequência da redução do ritmo de grandes obras e da falta de políticas públicas, o que empurra jovens para áreas como medicina e direito. Ao mesmo tempo, defende que a Engenharia Civil continua indispensável e que a demanda é evidente, embora “oculta”: infraestrutura viária, mobilidade urbana, ferrovias, hidrovias, habitação e saneamento.
Ele exemplifica com a própria realidade de São Luís, comparando deslocamentos antigos de 15 a 20 minutos com tempos atuais que chegam a uma hora, e alerta que o cenário tende a piorar se não houver intervenções estruturais. Para ele, o déficit habitacional segue elevado, e problemas urbanos alimentam desordem social, o que reforça a necessidade de obras e planejamento. Nesse contexto, a tecnologia surge como oportunidade: cita BIM e inteligência artificial como ferramentas que podem acelerar processos, mas exigem revisão do ensino e um novo perfil de formação do engenheiro, com mais pesquisa, extensão e atualização permanente.
 
 
FAZENDAS, PECUÁRIA E A LEITURA DO MARANHÃO COMO TERRITÓRIO DE POTENCIAL
 
Na dimensão pessoal, João Aureliano relata forte vínculo com a vida rural e com a pecuária. Compara a aridez do Rio Grande do Norte, onde o manejo exigia estratégias de sobrevivência do rebanho, com o Maranhão, que descreve como estado de grande potencial, com alto índice pluviométrico, solos favoráveis e terras planas que facilitam a mecanização. Ele menciona ter participado da Associação dos Criadores do Maranhão e associa a economia regional a dados de produção e rebanho bovino, usando isso como argumento de vocação do território.
Relata ter tido três propriedades em épocas diferentes, aproximadamente entre 1990 e 2010/2012: uma perto de Peritoró, chamada Santa Tereza, no Campo Verde; uma em Rosário, chamada Itaipu; e outra próxima a Vitória do Mearim, chamada Tupanciretã, cujo significado comenta de forma devocional. Explica também os ciclos pecuários de cria, recria e engorda, destacando que trabalhou com gado e que precisou vender as fazendas, mantendo saudade desse período.
 
 
MENSAGEM FINAL: ESPERANÇA, ESTUDO E ÉTICA NA ENGENHARIA
 
Ao final, João Aureliano deixa uma mensagem que sintetiza sua visão de Engenharia Civil como campo técnico e social. Defende a esperança e insiste em um imperativo: estudar e manter responsabilidade. Reforça que o engenheiro precisa ser também cidadão, correto, honesto e solidário. Observa ainda o crescimento das mulheres na engenharia e cita exemplos de alto rendimento acadêmico entre alunas. Para ele, embora haja crise salarial e necessidade de potencializar políticas públicas, o potencial de obras e as necessidades do país são grandes, e a saída passa por adequações na formação e por um novo ciclo de investimentos estruturantes, no qual a Engenharia Civil volte a ser protagonista.

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