RESUMO DA ENTREVISTA
A entrevista, realizada em 10 de janeiro de 2026, registra o depoimento de Maria de Fátima de Castro Pinheiro, servidora da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, cuja trajetória profissional se confunde com a própria consolidação institucional da antiga Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM e da UEMA, ao longo de mais de quatro décadas.
Dados pessoais e ingresso institucional
Maria de Fátima de Castro Pinheiro nasceu em 20 de fevereiro de 1955, em São Luís – MA. Iniciou suas atividades na FESM como prestadora de serviços, em junho de 1979, sendo formalmente contratada em 5 de janeiro de 1981, já no processo de transição para a UEMA. Ingressou muito jovem na instituição, com 17 anos, após indicação de uma amiga que apresentou seu currículo. Foi entrevistada e aprovada para o cargo de agente administrativa.
Atuação na FESM e primeiros anos no Campus São Luís
Desde o início, trabalhou no Campus São Luís, ainda no período em que a FESM compartilhava o espaço com outros órgãos estaduais, como a SAGRIMA, e estruturas vinculadas à EMAPA, a exemplo do Laboratório de Sementes. Lembra-se da Granja Modelo, que ainda funcionava no local.
O acesso ao campus era precário: havia uma ponte de madeira, onde inclusive ocorreu um acidente envolvendo uma professora, e o transporte coletivo era feito pela linha COHAPAM/FESM. Parte da FESM funcionava fora do campus: o curso de Administração já operava no bairro Alemanha, enquanto o curso de Engenharia Civil funcionava dentro do campus da UFMA, no Bacanga. Posteriormente, no governo João Castelo, foi construído o prédio que hoje abriga o Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA, permitindo a transferência do curso de Administração para o Campus Paulo VI.
Rotina de trabalho e cursos existentes
Na década de 1970, a rotina institucional concentrava-se no horário das 7h às 13h, pois ainda não havia cursos noturnos de licenciatura. Os cursos existentes no campus eram Agronomia e Medicina Veterinária, aos quais se somaram posteriormente Administração e Engenharia Civil.
O bondinho do campus
Fátima apresenta um relato detalhado sobre o bondinho da UEMA, que era fundamental para a circulação interna, já que os ônibus não adentravam o campus. Os usuários desembarcavam na entrada e caminhavam até a estação do bondinho, localizada ao lado de onde hoje funciona o curso de Biologia.
O bondinho transportava servidores, professores e estudantes, parando conforme a necessidade, dada a grande distância entre os poucos prédios existentes. Como era de estrutura aberta, os usuários se molhavam em dias de chuva, embora o trajeto rápido minimizasse o desconforto. Segundo ela, o bondinho não era apenas funcional, mas também agradável, sendo uma necessidade logística do campus.
Trajetória funcional dentro da UEMA
Seu primeiro local de trabalho foi a Prefeitura do Campus, então situada onde hoje funciona o Segundo Juizado Especial Cível, sob a gestão do prefeito José Tadeu Moura Serra, permanecendo ali de 1979 a 1981.
Em seguida, atuou na Escola de Agronomia entre 1981 e 1983, e depois na Escola de Engenharia, onde permaneceu por 15 anos. Posteriormente, foi convidada a assumir funções na Reitoria, ingressando diretamente como secretária dos Órgãos Colegiados Superiores, cargo que assumiu em 2009, após o falecimento de sua antecessora, Ivana Maria Metri Pereira, a convite do então vice-reitor Gustavo Pereira da Costa.
Secretaria dos Órgãos Colegiados Superiores (SOCS)
Fátima explica que, na época da FESM, o setor chamava-se Secretaria Geral, responsável apenas por dois conselhos: o Conselho Universitário e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, sendo o Conselho de Administração uma criação posterior. As reuniões sempre foram públicas, e ela chegou a participar como ouvinte ainda no início de sua trajetória, muito antes de ser secretária da SOCS/UEMA, para compreender os processos decisórios.
Ao assumir a SOCS, encontrou uma estrutura extremamente precária, com procedimentos majoritariamente manuais. Convocações eram feitas por mensageiros; os processos eram volumosos e impressos, com muitos documentos fotocopiados, que muitas vezes não eram lidos pelos conselheiros. A partir de sua gestão, promoveu uma evolução administrativa, solicitando computadores e impressoras, implementando o envio eletrônico de documentos e criando e-mails institucionais para os conselheiros. Mesmo havendo um computador disponível anteriormente, ele era subutilizado.
Inicialmente, a SOCS não possuía equipe fixa: trabalhava apenas com apoio eventual, especialmente de Luiz Gustavo (prestador de serviços) e, nas colações de grau, de Lídia (já falecida). Durante anos, a SOCS também organizou colações de grau, chegando a realizar eventos com 800 a 900 formandos, contando com apenas duas pessoas, e realizando constantes viagens ao interior do Estado. Com o tempo, conseguiu estruturar uma equipe maior para essa função. Em 2015, a atribuição de organizar as colações de grau foi transferida da SOCS para a Assessoria de Comunicação – ASCOM e, atualmente, é responsabilidade da Assessoria de Cerimonial e Eventos – ASCEV.
Reuniões marcantes e memória institucional
Entre os momentos mais marcantes de sua memória, destaca-se uma reunião do Conselho Universitário, por volta de 1993–1994, em que sindicatos e associações pleitearam o reconhecimento dos servidores oriundos da FESM como servidores efetivos da UEMA, com base na lei de criação da universidade. Apesar da forte carga emocional e das expectativas, o reconhecimento não ocorreu, fato que marcou profundamente os servidores da época.
Formação acadêmica e especializações
Fátima integrou a primeira turma da UEMA, sendo aprovada em primeiro lugar no vestibular do curso superior de Secretariado. Posteriormente, migrou para o bacharelado em Secretariado Executivo, com apoio institucional, cursando a formação na Faculdade FAMA, com as despesas custeadas pela UEMA. Possui diversas especializações, destacando-se a de Cerimonial Universitário, área em que é uma das poucas especialistas na instituição, além de especializações em Desenvolvimento de Competências Gerenciais e na área de Secretariado.
Desafios institucionais e compromisso profissional
Durante sua trajetória na UEMA, Fátima relata dificuldades recorrentes, especialmente relacionadas à escassez de pessoal e à burocracia administrativa. Em uma ocasião, precisou custear viagens com recursos próprios, sem possibilidade de ressarcimento posterior, em razão de impedimentos da auditoria. Ainda assim, ressalta que o compromisso profissional e institucional sempre prevaleceu.
Situação atual e mensagem final
No momento da entrevista, Maria de Fátima encontrava-se em processo de aposentadoria há um ano e três meses. Ao final, deixa uma mensagem aos novos profissionais da UEMA, enfatizando que a universidade é um espaço privilegiado para o conhecimento, ressaltando que o saber adquirido é um patrimônio pessoal que ninguém pode retirar.
A entrevista revela uma trajetória marcada por dedicação, pioneirismo administrativo, compromisso com a modernização institucional e profunda identificação com a história e a missão da UEMA.