ᗍ HISTÓRICO DA OCUPAÇÃO TERRITORIAL DA CIDADE UNIVERSITÁRIA PAULO VI
1930 a 1950
O terreno da atual Cidade Universitária Paulo VI, localizado na área da “Maiobinha”, teve sua primeira ocupação destinada ao funcionamento do Aprendizado Agrícola de São Luís. Posteriormente, na década de 1950, o Governo do Estado cedeu a área à Granja Modelo, que funcionou até 1960 como propriedade demonstrativa. A Granja contemplava atividades hortifrutigranjeiras, criação de animais (bovinos de leite, suínos e aves com incubadoras), oficina mecânica para tratores e implementos agrícolas, além da introdução de novas culturas, como a pimenta-do-reino.
Década de 1960
No final da década, a Secretaria de Agricultura do Maranhão (SAGRIMA) instalou o Centro de Pesquisas Agronômicas (CEPAMA), onde jovens engenheiros agrônomos realizavam projetos de pesquisa e experimentação em culturas alimentares, oleaginosas e forrageiras, em convênio com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE). Foi nesse período que Carlos Marques iniciou sua carreira como pesquisador, experiência que o aproximou da futura criação da Escola de Agronomia do Maranhão (EAM), posteriormente incorporada à FESM e transformada na UEMA.
1969
Todo o patrimônio do CEPAMA foi incorporado à recém-criada Escola de Agronomia do Maranhão (EAM).
1971
Com a criação do Departamento de Pesquisa e Experimentação (DEPE) da SAGRIMA e do Instituto de Recursos Naturais (IRN), Marques passou a atuar na mesma área como Vice-Diretor de Pesquisa da EAM, marcando o início da implantação do Curso de Agronomia.
1975 a 1978
Em 1975, o DEPE foi extinto, dando origem à Empresa Maranhense de Pesquisa Agropecuária (EMAPA). A empresa herdou o campo experimental e as instalações de pesquisa, tornando-se a antecessora imediata da FESM/UEMA na ocupação da área.
ᗍ A COEXISTÊNCIA DA EMAPA E DA FESM NO MESMO TERRENO
A Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), criada em 1972, e a EMAPA, criada em 1975, coexistiram no terreno onde hoje se localiza a Cidade Universitária Paulo VI.
Carlos Marques esclareceu que não houve uma “doação” do terreno pela EMAPA para a FESM, mas uma convivência harmoniosa e delimitada entre as duas instituições:
– EMAPA (Pesquisa): Mantinha o campo experimental, o prédio-sede (atual centro da UEMA), laboratórios de solos e sementes, biblioteca técnica e área de experimentação agrícola.
– FESM (Ensino): Ocupava as áreas destinadas aos cursos superiores e instalações administrativas.
As instituições compartilhavam o terreno de forma cooperativa e complementar, com atividades de ensino e pesquisa desenvolvidas em espaços distintos. O Parque Independência, sob responsabilidade da SAGRIMA, manteve-se na mesma área para exposições.
ᗍ SOBRE A EMAPA
Criada pela Lei nº 3.672/1975 mediante fusão do DEPE (SAGRIMA) e do IRN (SEPLAN), a EMAPA inspirou-se no modelo da EMBRAPA. Marques a define como “a primeira empresa de base científico-tecnológica agronômica do Estado do Maranhão, uma agtech governamental”.
A instituição funcionava como empresa pública de direito privado, com autonomia técnica, administrativa e financeira, vinculada à SAGRIMA. Sua primeira diretoria executiva incluiu Carlos Alberto dos Santos Marques (Diretor Presidente), José Maria Pereira (Diretor de Administração e Finanças) e Flávio Pomar de Andrade (Diretor Técnico, indicado pela Embrapa).
Surgiu em um contexto de modernização da agricultura maranhense, com o objetivo de gerar, adaptar e difundir tecnologias agropecuárias. A EMAPA funcionou de 1975 a 1978, sendo extinta no âmbito de reforma administrativa estadual. Marques atribuiu como fator crítico a admissão de pessoal sem qualificação técnica, infringindo a “regra de ouro” das organizações científicas.
Estrutura Física da EMAPA
– Sede administrativa: Prédio alugado no bairro da Camboa (antigo IRN).
– **Campo Experimental (Campus Paulo VI) Prédio-sede, laboratórios de Solos e Sementes e área de experimentação agrícola, herdados do DEPE/SAGRIMA.
Legado da EMAPA
– Produção e divulgação de conhecimento científico por meio de pesquisa, experimentação e prestação de serviços (análise de solos, sementes e clima).
– Abertura de novas fronteiras agrícolas, como a introdução da soja no cerrado (Balsas e Chapadinha) e do arroz irrigado nas várzeas (Vitória do Mearim), em cooperação com a EMBRAPA e o IRAT (França).
– Pesquisas pioneiras com enfoque sistêmico voltado para a agricultura familiar, embrião da agroecologia no estado.
– Cooperação internacional EMAPA/IRAT (1978-1983), sob liderança do pesquisador LUCIEN SEGUY (in memoriam) e do cientista francês Sérgio Louzenac, representando uma “ruptura paradigmática” que marcou o início da agronomia moderna no Maranhão.
ᗍ TRANSIÇÃO E EXTINÇÃO DA EMAPA: DA PESQUISA À EDUCAÇÃO SUPERIOR
Com as reformas administrativas estaduais do final da década de 1970, o governo decidiu extinguir empresas e autarquias, incluindo a EMAPA, para substituí-las por novas estruturas gerenciais. Embora Marques considerasse essa decisão um erro estratégico, ela abriu caminho para a consolidação do ensino superior estadual.
Foi nesse contexto que o terreno da EMAPA, com sua infraestrutura científica e laboratorial, foi cedido à FESM, precursora da UEMA. A transição não representou apenas uma transferência física, mas simbólica, sem doação oficial: do desenvolvimento agropecuário à formação acadêmica superior, preservando o caráter técnico-científico do local.
Segundo Marques, “a EMAPA cumpriu sua missão de promover a inovação no setor agropecuário maranhense e, ao ceder espaço à FESM, deu continuidade a esse legado pela via da educação e da ciência”.
ᗍ Conclusão
A entrevista com Carlos Alberto dos Santos Marques informa que o terreno da Cidade Universitária Paulo VI possui rica história agrocientífica anterior à universidade. De Aprendizado Agrícola a centro de pesquisa (CEPAMA, DEPE, EMAPA), o local evoluiu para sediar o campus universitário, mantendo sua vocação para o conhecimento.