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Entrevista: Antonio Pereira e Silva
Entrevistado: Antonio Pereira e Silva
Data de nascimento: 10 de setembro de 1957
Relação com a história da UEMA: Antonio Pereira e Silva é egresso do curso de Engenharia Mecânica da FESM (atual UEMA) e atuou como professor, gestor e organizador dos processos seletivos e vestibulares. Foi pró-reitor de Planejamento e assessor da Reitoria.
Biografia: Antonio Pereira e Silva é engenheiro mecânico, professor da UEMA aposentado e gestor público, com trajetória diretamente ligada à consolidação da Universidade. Graduado em Engenharia Mecânica pela antiga FESM (1980), ingressou na docência universitária em 1981, atuando de forma contínua no curso de Engenharia Mecânica, onde exerceu funções acadêmicas e administrativas desde os primeiros anos de implantação. Possui especialização em Gestão Empresarial pela FGV, mestrado em Engenharia Mecânica pela UNICAMP e formação complementar internacional no Japão, na área de Sistemas de Manuseio de Materiais.
Ao longo de mais de quatro décadas, destacou-se pela atuação na gestão universitária, tendo ocupado cargos como chefe de departamento, diretor de curso, assistente da Pró-Reitoria de Graduação, Pró-Reitor de Planejamento e assessor da Reitoria. Teve papel central na organização e modernização do vestibular da UEMA, participando da transição dos modelos manuais para sistemas informatizados, da implementação técnica das políticas de cotas e da realização de processos seletivos de grande escala. Paralelamente, atuou como engenheiro mecânico da Companhia Vale do Rio Doce entre 1988 e 2005, mantendo vínculo docente com a UEMA. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a universidade pública, pelo planejamento institucional e pela defesa do acesso democrático ao ensino superior.
DADOS DA ENTREVISTA
Assunto: Da vivência acadêmica em Engenharia Mecânica na FESM à docência e à gestão universitária
Categoria: Memória Institucional
Data da entrevista: 14 de janeiro de 2026
Local: Entrevista conduzida presencialmente em sua residência no bairro do Renascença, São Luís – MA.
Entrevistado: Antonio Pereira e Silva
Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)
O presente registro integra o PORTAL MEMÓRIA UEMA |dados.uema.br/portal-memoria
Origens Familiares, Infância e Migração para o Maranhão (1957–1968)
Antonio Pereira e Silva nasceu em 1957, no município de São José de Piranhas, sertão paraibano, em um contexto familiar marcado pela valorização do trabalho e da educação. Em 8 de dezembro de 1968, aos 11 anos de idade, mudou-se para São Luís do Maranhão acompanhando toda a família.
Primeiras Experiências de Trabalho e Formação do Sentido de Responsabilidade (1969–1972)
Pouco tempo após chegar a São Luís, Pereira, como é mais conhecido, iniciou sua experiência de trabalho. Em novembro de 1969, aos 12 anos, passou a trabalhar como vendedor de redes no Depósito Sayonara, localizado na descida da Rua Magalhães de Almeida, em área central da cidade.
Seu gerente era Edivaldo Holanda (ex-deputado estadual), também paraibano. Pereira permaneceu cerca de cinco meses nessa função, experiência que ele identifica como seu primeiro trabalho formal.
Além disso, auxiliou, por curto período, um comerciante paraibano em feiras dominicais no bairro Liberdade, então conhecido também como Matadouro. Essas experiências reforçaram seu contato precoce com o trabalho, o comércio popular e a realidade socioeconômica da capital maranhense.
Vida escolar e Início da Docência Informal (1969–1975)
No campo educacional, iniciou os estudos em São Luís no Colégio Dom Bosco, então localizado na Rua do Passeio. À época, a instituição oferecia apenas o antigo ginásio, não dispondo ainda do curso científico.
Posteriormente, cursou o segundo ao quarto ano do ginásio no Colégio Marista, instituição de forte tradição educacional. Ao concluir essa etapa, passou a auxiliar um irmão mais velho, técnico em contabilidade, ajudando na organização contábil de empresas, atividade que lhe garantiu alguma renda ao final de 1972.
Influenciado por essa vivência, decidiu cursar o técnico em Contabilidade, ingressando na Escola Técnica de Comércio do Maranhão, situada em frente ao Jornal Pequeno, no período noturno. Foi nesse período que, em 1973, iniciou a atividade de aulas particulares, prática que manteve de forma contínua ao longo de aproximadamente cinco décadas, tornando-se uma das marcas de sua trajetória profissional.
Mudança de área de estudo, Liceu Maranhense e Escolha da Engenharia (1973–1976)
Já no primeiro ano do curso técnico, Pereira percebeu que a contabilidade não correspondia à sua vocação. Motivado pelo desejo de cursar Engenharia e atento às mudanças no modelo do vestibular unificado, decidiu buscar uma formação científica mais completa.
Ingressou no Liceu Maranhense, em 1974, sendo aprovado em primeiro lugar no processo seletivo. Durante um período particularmente exigente, conciliou:
- Estudos no Liceu pela manhã;
- Aulas particulares à tarde;
- Curso técnico em Contabilidade à noite.
Em 1975, no último ano do ensino médio, chegou a cogitar entre os cursos de Direito e Engenharia. A afinidade com a matemática foi decisiva para a escolha da Engenharia Mecânica.
Vestibular da FESM (atual UEMA) e Ingresso no Ensino Superior (1976)
Na época em que Pereira prestou vestibular da então Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM era bastante concorrido e oferecia apenas cinco cursos: Engenharia Civil, Engenharia Mecânica, Agronomia, Medicina Veterinária e Administração.
As provas eram aplicadas ao longo de quatro dias, abrangendo todas as disciplinas do ensino médio. Os resultados eram divulgados por meio das rádios locais (como Timbira e Ribamar) e pelos jornais impressos, o que conferia grande visibilidade e emoção ao processo.
Pereira recorda o momento em que ouviu seu nome entre os aprovados, destacando a intensa comemoração com amigos e familiares, em um contexto econômico modesto, mas carregado de significado simbólico.
Graduação em Engenharia Mecânica e Transferência do Campus Bacanga para o Campus Paulo VI (1976–1980)
O seu curso de Engenharia Mecânica teve início em 1976, no prédio onde hoje é o de Medicina da UFMA no Bacanga, onde Pereira cursou os cinco primeiros períodos. Em 1977, acompanhou o início da construção da Cidade Universitária Paulo VI, durante o governo Nunes Freire.
No segundo semestre de 1978, ocorreu a transferência das engenharias para o novo campus (Cidade Universitária Paulo VI), enquanto Agronomia e Veterinária já funcionavam no local. Pereira destaca:
- A precariedade do transporte público;
- A existência inicial de poucas linhas de ônibus;
- O isolamento da região, ainda sem o bairro adjacente Cidade Operária ou expansão urbana significativa.
As aulas de Engenharia Mecânica passaram a ocorrer no prédio que hoje funciona o Centro de Ciências Tecnológicas – CCT, onde também foi instalado o antigo núcleo de máquinas, com equipamentos trazidos da antiga sede no Bacanga, muitos deles de origem alemã.
Estágio na Recuperação do Bondinho da UEMA (1977–1983)
Um dos episódios mais marcantes de sua formação foi a atuação como estagiário no projeto de recuperação do bondinho da UEMA, coordenado pelo professor Edmilson Baldez.
O trabalho envolveu:
- Recuperação estrutural do bonde;
- Restauração das partes de madeira;
- Instalação de trilhos e cabos de cobre;
- Reativação do sistema mecânico e elétrico.
Participaram do projeto de restauração do bondinho para o funcionamento na Cidade Universitária Paulo VI profissionais experientes oriundos de Rosário, ligados à antiga Rede Ferroviária Federal, como Zé Grosso, Denizal e Carmelo, com os quais Pereira afirma ter aprendido intensamente.
O bondinho operou entre 1978 e 1983, cumprindo função mais simbólica, cultural e lúdica do que propriamente de transporte, tornando-se um marco da memória afetiva da universidade e da cidade.
Formatura, Primeira Experiência Profissional e Ingresso na Docência (1980–1981)
Pereira concluiu a graduação em julho de 1980, com colação de grau em setembro, período em que o curso ainda não era oficialmente reconhecido.
Seu primeiro emprego foi na empresa Implementos e Tratores Anfíbios Ltda., no Distrito Industrial, onde ingressou ainda como aluno do último período. Permaneceu até abril de 1981, quando decidiu deixar a empresa.
Nesse mesmo mês, passou a integrar o corpo docente da então FESM como professor colaborador, iniciando oficialmente sua carreira universitária.
Consolidação Acadêmica, Coordenação e Criação da UEMA (1981–1988)
Com apenas 23 anos, assumiu em julho de 1981 a coordenação do curso de Engenharia Mecânica, segundo o prof. Pereira, em razão da ausência de outros interessados. Essa função garantiu a continuidade de seu vínculo institucional.
Com a criação da UEMA em 1982, passou automaticamente a integrar o quadro da nova universidade. Atuou como:
- Professor efetivo;
- Chefe e vice-chefe de departamento;
- Assistente de coordenação;
- Participante ativo do vestibular institucional.
Recebeu capacitações técnicas promovidas por professores da Universidade Federal de São Carlos, fundamentais para a consolidação do curso.
Atuação na Vale e Manutenção do Vínculo com a UEMA (1988–2005)
Em 1988, ingressou como engenheiro mecânico da Companhia Vale do Rio Doce, onde permaneceu até 2005, exercendo funções técnicas, de gestão e gerência.
Mesmo atuando em regime celetista na Vale, manteve vínculo com a UEMA, reduzindo sua carga horária para 20 horas, ministrando aulas à noite e aos sábados, por opção pessoal, para não se desligar da universidade.
Formação Pós-Graduada e Aperfeiçoamento (1995–2017)
Entre 1995 e 1996, realizou uma especialização no Japão, com carga horária de 540 horas, na área de Sistemas de Manuseio de Materiais. Embora não reconhecida formalmente no Brasil, considera essa experiência uma das mais enriquecedoras de sua formação.
Concluiu:
- Especialização em Gestão Empresarial pela FGV (2000);
- Mestrado em Engenharia Mecânica pela UNICAMP (2003).
Iniciou posteriormente um doutorado, chegando à fase de qualificação, mas não defendeu a tese, fato abordado com reflexão e maturidade.
Gestão Universitária, Pró-Reitoria de Planejamento e Vestibular (2005–2022)
Após sair da Vale, retornou à UEMA em regime integral. Atuou como:
- Assistente da Pró-Reitoria de Graduação;
- Diretor do curso de Engenharia Mecânica;
- Integrante da equipe do vestibular;
- Pró-Reitor de Planejamento (2011–2014);
- Assessor da Reitoria (2014–2022).
Destaca ações como:
- Recadastramento institucional;
- Retomada do Anuário Estatístico;
- Modernização de processos administrativos;
- Informatização das inscrições do vestibular;
- Implementação técnica das políticas de cotas;
- Participação na organização do maior vestibular da história da UEMA, em 2010, com mais de 119 mil inscritos.
Pandemia, Produção Normativa e Teletrabalho (2020–2021)
Durante a pandemia da COVID-19, atuou intensamente na elaboração de portarias, resoluções e normativas internas, em parceria com o professor Gilson Martins Mendonça.
Estima a produção de cerca de 60 atos normativos, em diálogo com:
- Governo do Estado;
- Secretaria de Saúde;
- Ministério da Saúde;
- Organização Mundial da Saúde;
- Pró-Reitoria de Graduação.
Aposentadoria, Legado e Conselho do Professor
Solicitou aposentadoria a partir de 2023, após mais de quatro décadas de dedicação institucional.
Como mensagem final, enfatiza a importância de amar a UEMA, colocando a instituição acima de interesses individuais, dedicando-se à sua construção coletiva e reconhecendo que o sucesso dos egressos projeta o nome da universidade.
O conselho final dado pelo Prof. Antônio Pereira e Silva foi um uma mensagem direta ao compromisso institucional com a UEMA.
O professor enfatizou que muitas vezes é necessário executar um trabalho mesmo sem concordar integralmente com todos os envolvidos, porque a universidade precisa avançar. Para ele, esse espírito de compromisso é o que sustenta a instituição ao longo do tempo.
Destacou ainda que o sucesso profissional dos alunos e egressos projeta o nome da universidade, reforçando que cada estudante que se destaca fora dos muros leva consigo a imagem da Universidade Estadual do Maranhão. Por isso, concluiu que lutar pela UEMA, engrandecê-la e defendê-la no cotidiano é uma responsabilidade compartilhada por todos que fazem parte de sua história.
PORTAL MEMÓRIA UEMA
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