Biografia e origem
Ana Lúcia Abreu Silva nasceu em 4 de dezembro de 1963, no município de Cajari (MA). É filha de José Maria Nascimento Silva e Francisca Abreu Silva. Proveniente do interior maranhense, construiu sua trajetória pessoal e profissional a partir de uma base familiar marcada pela valorização do trabalho, da diligência e da educação como meio de transformação social.
É graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutorado e pós-doutorado na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Sua trajetória acadêmica consolidou-se especialmente na área de doenças parasitárias, com ênfase em Leishmaniose, ampliando-se posteriormente para estudos com produtos naturais aplicados ao tratamento da Leishmaniose, do Trypanosoma cruzi, da toxoplasmose e investigações experimentais com potencial aplicação em oncologia. Possui depósitos de patentes em fase de análise no INPI e registro de software/aplicativo voltado à notificação de casos de Leishmaniose, desenvolvido em parceria interdisciplinar com a área de Ciência da Computação.
Ensino fundamental e médio
Cursou o ensino fundamental em Cajari, onde, à época, a oferta educacional se restringia ao 8º ano (antigo ginásio), nesta época cursou no Ginásio Bandeirante, destacando-se academicamente como uma das melhores alunas da instituição. Esse período marcou seu amadurecimento pessoal e consolidou sua vocação para os estudos. Em razão da inexistência de ensino médio no município, mudou-se ainda jovem para São Luís, com o objetivo de prosseguir os estudos. Na capital,
Ingresso no ensino superior e graduação
O acesso ao ensino superior ocorreu em um contexto de escassez de universidades e elevada concorrência, quando basicamente existiam a UFMA e a então UEMA. A preparação para o vestibular foi marcada por dificuldades financeiras, lacunas de formação em disciplinas como Matemática e Física, estudo autodidata, participação apenas em revisões de fim de ano e episódios de ansiedade, com impacto físico e emocional. A aprovação foi vivenciada como um momento de intensa emoção familiar, sendo a primeira de sua família a ingressar em uma universidade.
Ingressou no curso de Medicina Veterinária da UEMA em 13 de setembro de 1982, colando grau em 7 de agosto de 1986. Inicialmente, pretendia cursar Medicina, sonho de seu pai, mas encontrou na Medicina Veterinária sua realização profissional definitiva.
A graduação ocorreu em um período de infraestrutura embrionária do curso, criado na década de 1970. A Veterinária funcionava em dois prédios, com apenas duas salas de aula, o que exigia alternância de turnos entre as turmas. As disciplinas básicas (Anatomia, Histologia, Bioquímica) eram ministradas em laboratório localizado onde hoje funciona o estábulo, e somente depois os alunos se deslocavam para o prédio específico do curso.
O bondinho do Campus São Luís constituía o único meio de transporte interno, ligando áreas como Biologia e Veterinária. Para Ana Lúcia, tornou-se um símbolo afetivo da vida universitária, a ponto de sua turma realizar nele a
foto oficial de formatura.
No terceiro período, participou de uma greve estudantil em defesa da qualidade do ensino, motivada pelo fato de alguns docentes vinculados a órgãos federais ministrarem aulas apenas aos sábados. O movimento implicou a perda de um período letivo e ocorreu ainda sob o contexto do regime militar, marcado por repressão e pouca abertura institucional.
À época, não existia Hospital Veterinário. As atividades práticas e estágios eram realizados em clínicas externas, e o curso contava apenas com uma sala de cirurgia.
Pós-graduação e formação científica
Após a graduação, buscou qualificação em um período em que o acesso à pós-graduação era restrito, burocrático e pouco incentivado:
• Mestrado (1992–1994) – UFMG, Belo Horizonte;
• Doutorado (1999–2003) – Fiocruz;
• Pós-doutorado – Fiocruz.
Na Fiocruz, consolidou sua linha de pesquisa em leishmaniose, posteriormente ampliada para estudos com produtos naturais aplicados ao tratamento da leishmaniose, Trypanosoma cruzi, toxoplasmose e investigações experimentais com potencial aplicação em oncologia.
Possui depósitos de patentes em fase de análise no INPI e registro de software/aplicativo voltado à notificação de casos de leishmaniose a partir de sinais clínicos, desenvolvido em parceria interdisciplinar com o professor Evaldo Eder, da área de Ciência da Computação. Coordena projeto aprovado pelo CNPq para testes pré-clínicos no tratamento da leishmaniose visceral canina.
Carreira docente e gestão na UEMA
Ingressou como docente da UEMA em 1990, realizando toda a pós-graduação já como professora da instituição. Ao longo de sua trajetória, exerceu funções estratégicas de ensino, pesquisa e gestão:
• Primeira coordenadora da Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (2005–2008), hoje denominada Ciência Animal;
• Chefe de Departamento (período não especificado);
• Diretora do Curso de Medicina Veterinária (2018–2024), período em que coordenou as comemorações dos 50 anos do curso, incluindo um Seminário Internacional de Leishmaniose.
É fundadora da Rede Nordeste de Biotecnologia (RenorBio) na UEMA. A APCN foi aprovada em 2005 e a primeira turma iniciou em 2006. Considera a RenorBio decisiva para a formação de massa crítica e para a consolidação da pós-graduação stricto sensu na universidade.
Coordenou o projeto FINEP que viabilizou o Laboratório Multiusuário (LAMP) da Medicina Veterinária e iniciou projetos estruturantes como o canil/criatório, posteriormente conduzido pela professora Alana.
Reconhece como referências formativas os professores Francisco de Souza Rocha (Rochinha) e Lúcia Alves Coelho, destacando o incentivo, a confiança e a autonomia acadêmica recebidos no início da carreira.
Formação humana, visão institucional e legado
Durante a pandemia, realizou formação em Psicologia Positiva e Inteligência Emocional, buscando compreender melhor os desafios enfrentados pelos estudantes. Coordena a disciplina “Felicidade na Carreira”, defendendo que competências técnicas são insuficientes sem equilíbrio emocional, ética e comportamento adequado.
Não atua diretamente na gestão do Hospital Veterinário, mas expressa orgulho pela evolução estrutural da UEMA em comparação ao período em que foi aluna.
Em sua mensagem final, enfatiza a dignidade do trabalho, a importância de honrar a função pública e de se fazer útil à instituição. Afirma estar em processo de aposentadoria com a tranquilidade de quem construiu um legado baseado em esforço, ética e compromisso, aconselhando que, caso não haja identificação com o trabalho, é preferível buscar novos caminhos a permanecer na instituição sem contribuir efetivamente.