Entrevista: Almir Aguiar

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Almir Prodata

Entrevistado: Almir Aguiar Marques Filho

Data de nascimento: 05 de fevereiro de 1942.

Biografia: Almir Aguiar Marques Filho nasceu em 5 de fevereiro de 1942, em São Luís (MA), e formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil. Na década de 1970, foi o primeiro diretor executivo da PRODATA, conduzindo sua estruturação a partir do Centro de Processamento de Dados da Escola de Engenharia do Maranhão. Sob sua gestão, a PRODATA foi responsável pelo processamento de dados estratégicos do Estado, incluindo os vestibulares da FESM e da FUM, além de apoiar a formação acadêmica por meio do uso e da doação de equipamentos como o computador IBM 1130. Sua atuação foi decisiva para a introdução e consolidação da informática no Maranhão.

Relação com a história da UEMA: Almir Aguiar Marques Filho manteve relação histórica e técnica com a FESM/UEMA ao dirigir a empresa pública PRODATA, originada no Centro de Processamento de Dados da Escola de Engenharia, unidade da FESM/UEMA. Sob sua gestão, a PRODATA processou os vestibulares da FESM e da Fundação Universitária do Maranhão – FUM (atual UFMA), na década de 70 e apoiou atividades acadêmicas, inclusive com a doação do computador IBM 1130 à Escola de Engenharia.

Assunto: Da Escola de Engenharia à PRODATA: Formação, o processamento dos Vestibulares e o início da Informática no Maranhão nos anos 70.

Categoria: Memória Institucional.

Data: 27 de dezembro de 2025

Local: Entrevista conduzida a distância.

Entrevistado: Almir Aguiar Marques Filho

Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)

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A entrevista registra o depoimento de Almir Aguiar Marques Filho, nascido em 5 de fevereiro de 1942, em São Luís (MA), filho de Almir Aguiar Marques, engenheiro, e Maria José dos Santos Marques. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da então Universidade do Brasil, Almir foi o primeiro diretor executivo da PRODATA, empresa pública vinculada à Secretaria de Viação e Obras Públicas, criada em um contexto no qual a Informática ainda era desconhecida pela administração pública, pelo comércio e pelo meio acadêmico maranhense.
Segundo Almir, o nome PRODATA foi escolhido por meio de sorteio entre os próprios funcionários da companhia. O acrônimo representava, naquele contexto histórico, o evento tecnológico do processamento eletrônico de dados transformado em Informática, um conceito novo para São Luís à época. O entrevistado destaca que a cidade, o comércio, os serviços públicos e a própria burocracia estadual não conheciam a Informática, tampouco a existência de computadores aplicados à prestação de serviços ou à assistência técnica, inclusive aos docentes e aos alunos da Escola de Engenharia do Maranhão.
A PRODATA teve sua origem antes mesmo de sua formalização jurídica, no ambiente acadêmico da Escola de Engenharia do Maranhão, unidade integrante da Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM). A iniciativa partiu do professor Haroldo Tavares, então diretor da Escola de Engenharia (atual curso de Engenharia Civil do CCT/UEMA) e secretário de Viação e Obras Públicas, que, inspirado no modelo nacional do SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados) e em experiências estaduais congêneres, articulou com a Secretaria da Fazenda, chefiada por Pedro Neiva de Santana, a extinção do serviço mecanográfico estadual e a transferência de seus equipamentos IBM (International Business Machines) para a Escola de Engenharia. Esses equipamentos deram origem ao Centro de Processamento de Dados da Escola, inicialmente instalado no bairro da Camboa e, posteriormente, transferido para uma área elevada próxima à Universidade Federal do Maranhão, onde funcionara o centro de engenharia das obras da Barragem do Bacanga.
Esse Centro de Processamento de Dados constituiu o embrião direto da PRODATA, formalmente criada durante o governo de Pedro Neiva de Santana, com estrutura administrativa enxuta, composta inicialmente por um único diretor executivo. A empresa organizou-se em setores de desenvolvimento de sistemas e preparo de dados, utilizando como base tecnológica equipamentos mecanográficos da IBM e, posteriormente, o computador IBM 1130, adquirido pelo Governo do Estado durante o governo de José Sarney, com recursos destinados à importação. A IBM manteve técnicos residentes em São Luís para garantir a manutenção permanente dos equipamentos. A equipe técnica era formada por servidores oriundos da mecanografia da Secretaria da Fazenda e, de modo decisivo, por alunos da Escola de Engenharia, que passaram a atuar no desenvolvimento de sistemas e na operação dos equipamentos, consolidando um núcleo formador de profissionais em Informática.
Nesse contexto, a relação entre a Escola de Engenharia, a FESM e a PRODATA tornou-se particularmente relevante no processamento dos vestibulares da década de 1970. Os cartões-resposta dos exames da FESM e da Fundação Universitária do Maranhão (FUM) eram preenchidos em cartões IBM e encaminhados ao centro de processamento ligado à Escola de Engenharia e à PRODATA. Todo o procedimento ocorria sob rigorosos protocolos de segurança, com comissões de inspetores da FESM e da FUM acompanhando permanentemente as operações e com proteção da Polícia Federal, impedindo o acesso da imprensa e do público. Os resultados eram gerados em relatórios oficiais, supervisionados pelos inspetores e mantidos sob custódia em cofres até sua divulgação institucional.
Embora a PRODATA não tenha atuado como prestadora direta e permanente de serviços administrativos à FESM, sua infraestrutura foi fundamental para o funcionamento acadêmico da Federação. O computador IBM 1130, inicialmente utilizado pela PRODATA em atividades administrativas e comerciais, foi posteriormente doado à Escola de Engenharia para fins acadêmicos, passando a ser amplamente utilizado na formação de alunos e professores, especialmente na preparação de futuros analistas e programadores de sistemas. Paralelamente, a PRODATA prestou serviços estratégicos ao Estado e a outras instituições, como o processamento da folha de pagamento dos servidores públicos, a emissão de tributos municipais, o faturamento de serviços públicos, o atendimento a instituições financeiras e a empresas comerciais.
Com a mudança de governos, a PRODATA passou por alterações em sua gestão, continuou funcionando durante pelo menos duas administrações consecutivas, incluindo o governo Nunes Freire, e foi posteriormente extinta, tendo suas funções reincorporadas como serviço de Informática vinculado à Secretaria de Planejamento do Estado. Como legado, Almir destaca que a Escola de Engenharia, o Centro de Processamento de Dados e a PRODATA foram decisivos para a introdução da Informática no Maranhão, para a formação da primeira geração de profissionais da área e para a consolidação de práticas técnicas seguras e confiáveis no processamento dos vestibulares da FESM e da FUM, marcando um momento pioneiro da modernização acadêmica e administrativa no Estado.

 

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