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Memória Institucional – Entrevista David Serra
Entrevistado: David Serra de Araújo
Data de nascimento:
Relação com a história da UEMA: Com 50 anos de atuação entre a FESM e a UEMA, David Serra de Araújo é uma referência da memória da Informática e da administração universitária, com trajetória ligada à gestão e consolidação do CPD, atual CTIC/UEMA.
Biografia: David Serra de Araújo atua há 50 anos na Universidade Estadual do Maranhão, desde o período da Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM, sendo uma das referências históricas da gestão da informática institucional da UEMA. Ingressou em 1976 e desenvolveu trajetória vinculada à administração universitária e à área de tecnologia, com participação destacada no processamento de vestibulares e na consolidação do Centro de Processamento de Dados – CPD, atual Coordenação de Tecnologia da Informação e Comunicação – CTIC/UEMA. Ao longo da carreira, acompanhou e participou da evolução dos setores de informática da Universidade, em suas diferentes configurações desde CPD à CTIC/UEMA, além de vivenciar marcos como a implantação da internet institucional e dos primeiros serviços de rede da UEMA. Sua trajetória constitui importante referência para a memória da Informática universitária no Maranhão.
DADOS DA ENTREVISTA
Assunto: Do CPD/FESM à CTIC/UEMA: a evolução da tecnologia institucional
Categoria: Memória Institucional
Data da entrevista: 09 de março de 2026.
Local: Entrevista conduzida presencialmente na Reitoria da UEMA, São Luís-MA.
Entrevistado: David Serra de Araújo
Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)
O presente registro integra o PORTAL MEMÓRIA UEMA |dados.uema.br/portal-memoria
RESUMO DA ENTREVISTA
1. Origens, família e vinda para São Luís
David Serra de Araújo relembra suas origens na Baixada Maranhense, onde nasceu, no povoado de Itães, então ligado a Viana e hoje pertencente a Matinha. Filho de Boaventura Gomes de Araújo e Vitória Serra de Araújo, cresceu em uma família numerosa e trabalhadora. Seu pai era comerciante e atuava em diversas atividades, enquanto sua mãe permanecia dedicada à casa.
Em 1960, a família mudou-se para a região de Monção, no Pindaré. Já em 1974, David veio para São Luís em busca de melhores condições de vida, conciliando estudo e trabalho. Esse deslocamento marcou o início de sua trajetória profissional na capital e, pouco depois, seu ingresso na história da UEMA.
2. Ingresso na FESM/UEMA e primeiros cargos
David relata que ingressou na Instituição em 8 de março de 1976, quando ainda vivia a fase da Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), anterior à consolidação da UEMA. Seu primeiro posto foi como porteiro, trabalhando inicialmente na unidade situada na Praça Antônio Lobo, Centro de São Luís, onde funcionava a administração/presidência da FESM.
Após cerca de seis meses, chamou atenção por sua disposição e interesse em atividades de datilografia e administrativas. Segundo seu depoimento, Lucila Brandão, chefe dos serviços gerais, percebeu esse potencial e o transferiu para a função de agente administrativo. Foi também ela quem lhe apresentou a possibilidade de seguir para o Bacanga, a fim de atuar na área de informática, mesmo sem ele ter, naquele momento, qualquer familiaridade com computadores.
3. A escolha pela Informática e o encontro com o IBM 1130
David afirma que, ao ser convidado a escolher entre permanecer na parte administrativa da Praça Antônio Lobo ou seguir para o Bacanga, preferiu a segunda opção, motivado pela curiosidade de aprender algo novo. Esse momento mudou sua vida profissional.
No Bacanga, passou a atuar junto ao IBM 1130, um dos primeiros computadores utilizados pela Instituição. Segundo seu relato, ele não sabia sequer o que era um computador quando foi para o setor, mas rapidamente aprendeu a rotina técnica e operacional, contando com a orientação de colegas mais experientes. O ingresso nessa área marcou o início de uma longa carreira vinculada ao processamento de dados da UEMA.
4. O IBM 1130 e a estrutura inicial da Informática na UEMA
Um dos pontos centrais da entrevista é a descrição do computador IBM 1130 e de sua importância histórica. David informa que o equipamento funcionava inicialmente no Bacanga, em prédio cedido pela FUM, atual UFMA, e que era o único recurso computacional da FESM, precursora da UEMA naquele momento. Segundo ele, o setor já era conhecido como Centro de Processamento de Dados – CPD.
Ele também faz uma distinção importante entre esse equipamento e o computador utilizado pela PRODATA. De acordo com seu depoimento, o IBM da PRODATA não era o mesmo da FESM/UEMA; tratava-se de outro equipamento, localizado nas proximidades da Escola de Engenharia da FESM/UEMA, em área que ele identifica como onde mais tarde funcionaria o Corpo de Bombeiros. Esse esclarecimento é relevante porque relativiza versões que indicavam a circulação de um mesmo IBM entre diferentes órgãos.
5. Como funcionava o IBM 1130 no dia a dia
Ao descrever o equipamento, David menciona que havia uma CPU principal, uma grande impressora IBM 1132 e as máquinas perfuradoras 029, além de outros componentes instalados em uma sala ampla e permanentemente climatizada. O ar-condicionado de janela, padrão da época, era indispensável e funcionava o tempo todo.
O computador, embora extremamente limitado em comparação com a tecnologia atual, executava atividades centrais da Instituição. David menciona memória de 8K e o uso de discos magnéticos específicos para diferentes finalidades, como folha de pagamento, vestibular e controle acadêmico. Esses discos eram valiosos e reaproveitados. Já a guarda permanente das informações se dava, em muitos casos, por meio dos cartões perfurados, e folhas contínuas impressas, armazenados em armários para fins de conferência e auditoria.
6. Linguagens, operação e processamento de dados
Segundo David, a programação do IBM 1130 era realizada principalmente em Fortran e em Cobol. Ele cita colegas programadores como Carlito, Celso Rabelo e Cavanhaque, este último também ligado, em determinado momento, à UFMA e à Embratel.
A principal atribuição de David era a operação do sistema, embora também realizasse atividades de perfuração. Ele explica que havia funções específicas, hoje extintas, associadas a essa rotina. Sua fala revela a complexidade do trabalho técnico: operação do equipamento, preparação e leitura de cartões, acompanhamento das impressões e controle dos discos magnéticos.
7. O vestibular processado pelo computador
David relata que o vestibular era uma das tarefas mais importantes executadas pelo IBM 1130. O processo envolvia a leitura de cartões de resposta perfurados, o carregamento dos dados, a programação para classificação e a emissão do resultado por impressão. O sistema permitia ordenar dados alfabeticamente ou por nota, conforme a lógica definida no programa.
Ele informa que os cartões do vestibular eram guardados por muito tempo, o que permitia conferência posterior. O processamento era realizado em ambiente reservado, sem presença externa, embora jornalistas e demais interessados aguardassem a divulgação do resultado do lado de fora. Em uma ocasião, quando houve problema no computador da UEMA, foi necessário recorrer à PRODATA para concluir o processamento de um vestibular, mas ele enfatiza que isso foi uma situação pontual.
8. A lógica de armazenamento e continuidade do trabalho
Um aspecto curioso do depoimento é a descrição de como o trabalho podia ser interrompido e retomado. David afirma que, ao final de um expediente, era possível interromper uma impressão e, no dia seguinte, continuar a execução sem perda do que já havia sido produzido. Embora ele não detalhe tecnicamente o mecanismo, esse relato evidencia a existência de formas de preservação temporária permitindo a continuidade do processamento a partir do ponto de parada.
Ele explica ainda que havia discos distintos para diferentes áreas, como folha de pagamento, vestibular e controle acadêmico. Isso demonstra que, mesmo com recursos muito limitados, a Instituição já mantinha uma organização funcional de seus dados.
9. A transferência do IBM 1130 para o Campus São Luís
David confirma que o IBM 1130 também funcionou no Campus São Luís, já nas instalações que mais tarde dariam origem ao atual CPD e a atual CTIC/UEMA, em sala que ele identifica como a área próxima à rampa interna. Afirma que o equipamento foi transferido para a Cidade Universitária Paulo VI e trabalhou por muito tempo nessas dependências.
Questionado sobre a transferência física, explica que o conjunto era pesado, mas transportável em partes, ligadas por cabos, o que permitia seu deslocamento em caminhão. A fala ajuda a compreender a adaptação do equipamento entre os espaços físicos ocupados pela Instituição em sua fase de expansão.
10. O fim do IBM 1130 e a transição tecnológica
David não recorda a data exata da desativação do IBM 1130, mas relata que, na fase final, a maior dificuldade já era a escassez de insumos e peças, especialmente itens necessários à impressão. Segundo seu depoimento, o equipamento havia se tornado obsoleto e sem reposição adequada.
Ele menciona que, em determinado momento, a IBM teria sugerido deixar o equipamento com a UEMA para fins de museu, mas, como não houve interesse institucional, a própria empresa o recolheu. Paralelamente, a Universidade já iniciava a transição para outros equipamentos, como os computadores da Prológica, de modo que a saída do IBM não causou interrupção total das atividades.
11. Chefias e primeiras referências do setor de Informática da FESM/UEMA
Ao recordar a organização do setor, David menciona como primeiro diretor do CPD o professor José Henrique Pereira Macedo, citado por ele também como Zé Pereira Macedo. Quando David chegou ao setor, Macedo já havia saído, e a direção estava com Raimundo Celso Reis Rabelo, engenheiro civil formado na UEMA.
Foi com Raimundo Celso que David passou a trabalhar mais diretamente, aprendendo as rotinas de operação dos sistemas. Ao longo da entrevista, ele também menciona outros nomes ligados à direção do setor em diferentes momentos, entre eles Astor de Melo Carvalho Júnior, Pinheiro Franco, Moacir (de quem não recorda o sobrenome), Pedro Nicolau Galdês e, já em período mais recente, Luiz Carlos Fonseca e Reinaldo de Jesus da Silva.
12. Vínculo funcional e ascensão ao cargo de operador de computador
David informa que, inicialmente, seu vínculo era regido pela CLT no período da Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM. Posteriormente, com a consolidação da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, houve a mudança para o regime estatutário. Sua trajetória funcional evoluiu da portaria para a administração e, depois, para a função técnica de operador de computador, cargo com o qual veio a se aposentar.
Ele destaca que esse cargo praticamente já não existe mais na estrutura atual, o que torna sua carreira ainda mais representativa da história da informática institucional. Em seu relato, observa que foi o único a manter esse cargo por tanto tempo, tornando-se uma referência na memória administrativa da UEMA.
13. O CPD, o NPD e a liderança de David Serra
David relata que o setor recebeu diferentes nomes ao longo do tempo, passando de CPD para NPD (Núcleo de Processamento de Dados) e, posteriormente, assumindo outras configurações até a atual estrutura de tecnologia da UEMA.
Também afirma quando chegou a assumir a chefia/direção do setor. Isso ocorreu quando o professor Pedro Nicolau Galdês, ligado à Escola de Engenharia da UEMA, precisou afastar-se para cursar mestrado em São Paulo. Segundo ele, foi indicado para substituí-lo com apoio de Dr. Celso Lago, e, quando Nicolau retornou, decidiu que David deveria continuar no cargo. O entrevistado afirma ter voltado à direção do setor em três ocasiões ao longo da carreira na UEMA.
14. A inauguração do Campus São Luís e as primeiras condições de infraestrutura
David recorda que esteve presente no período da inauguração do Campus São Luís, em 1978, inclusive associando esse momento à presença do presidente Ernesto Geisel. Seu depoimento se soma às memórias sobre a implantação física do campus e a expansão da UEMA para além das estruturas anteriores.
Ao falar da infraestrutura daquela época, observa que a Universidade ainda estava longe da estrutura que possui atualmente. Reconhece os avanços, embora considere que sempre houve necessidade de melhorias.
15. O bondinho do campus na memória de David
Outro trecho de grande valor histórico é o referente ao Bondinho da UEMA no Campus São Luís. David afirma que o utilizava todos os dias, descendo do ônibus e seguindo até a área da Biblioteca Central e da Escola de Engenharia. Recorda o bonde como uma experiência cotidiana e, ao mesmo tempo, divertida, associada a um período em que o número de alunos era bem menor.
Embora não tenha participado diretamente da instalação, diz ter recebido a informação de que a montagem foi feita pelo pai do servidor Felipe Martins dos Santos, trabalhador ligado à área ferroviária. Felipe e seu pai, segundo ele, já faleceram. Sobre o destino final do bondinho, não se lembra da data de descarte, mas recorda ter visto remanescentes em área mais baixa do campus.
16. Memórias afetivas: a fotografia com a futura esposa
Entre as importantes lembranças pessoais associadas ao campus, David menciona uma fotografia tirada no Bondinho da UEMA com quem viria a ser a sua futura esposa, Zila Ribeiro de Araújo, por volta de 1979, quando ainda eram namorados. Casou-se em 1980, e esse registro tornou-se, em sua narrativa, uma memória emblemática de sua juventude e de vínculo afetivo com a UEMA.
Esse tipo de recordação é especialmente importante para a memória institucional porque revela como a Universidade também se impacta na vida pessoal de seus servidores, docentes e alunos ultrapassando o espaço estritamente profissional.
Um dado interessante do depoimento é a continuidade geracional da ligação da família com a Informática da UEMA. David informa que seu filho, David Leonardo de Araújo, trabalha na CTIC/UEMA, na área de manutenção de equipamentos. Essa informação reforça o legado e vínculo da família e a contribuição com a história tecnológica da Universidade.
17. Primeiros laboratórios e participação estudantil
Sobre o uso acadêmico da informática, David explica que, nos primeiros tempos, não havia condições de abrir amplamente o IBM 1130 para todos os estudantes, pois o equipamento era destinado prioritariamente às rotinas institucionais. Ainda assim, havia estagiários no setor.
Ele acredita que o primeiro laboratório de informática da Universidade surgiu na Engenharia Civil, ainda entre as décadas de 1980 e 1990, e que depois outros laboratórios foram sendo implantados em diferentes unidades. Esse processo marcou a passagem de uma informática centralizada e restrita para uma estrutura mais distribuída dentro da Universidade.
18. A chegada da internet à UEMA
Ao abordar a internet institucional, David associa esse processo à gestão do reitor César Pires, situando-o em torno do ano 2000. Segundo seu relato, a conexão inicial estruturada chegou à UEMA por meio da UFMA, dentro da lógica da Rede Nacional de Pesquisa – RNP.
Ele afirma que a ligação já ocorreu com fibra óptica, chegando inicialmente apenas até o prédio do CPD/UEMA, e que a instalação foi realizada por empresa contratada. Nesse momento, já havia servidores em funcionamento. Também recorda que os backups eram feitos em disquetes com dados que eram trazidos do controle acadêmico para o CIPD, o que demonstra a fase de transição tecnológica vivida pela Universidade.
19. Servidores, segurança e modernização do setor
David informa que acompanhou diretamente a implantação de estruturas como gerador, no-break e outras soluções de suporte à infraestrutura tecnológica da UEMA, ressaltando que, à época, as contratações eram feitas pela própria Universidade, e não por processos centralizados do Estado, como ocorre mais recentemente.
Também menciona um episódio de invasão a sistemas, que associa aproximadamente ao ano de 2013. Ainda que não entre em detalhes técnicos, o relato mostra que a UEMA já enfrentava desafios típicos de ambientes digitais mais complexos como outras instituições pelo país.
20. O primeiro site da UEMA e os serviços de rede
Sobre o primeiro site institucional, David acredita que ele foi desenvolvido internamente, mas posteriormente informado pelo Jorge Heleno Baldez Junior, integrante da equipe técnica da atual CTIC/UEMA, que foi desenvolvido pela empresa Linuxell de São Luís. Não soube precisar a data de entrada no ar nem o conteúdo inicial publicado, mas reforça que o site já era hospedado na própria estrutura de servidores da UEMA.
Ao falar dos serviços de e-mail e da modernização da rede, menciona nomes ligados à equipe técnica, como Michel Neves, e relaciona a evolução do setor ao trabalho coletivo desenvolvido no antigo CPD/NPD e na atual estrutura do CTIC.
21. Síntese da contribuição de David Serra para a memória institucional
A entrevista de David Serra de Araújo é de grande relevância para a memória institucional porque articula, em um mesmo depoimento, a história da administração universitária, da informática pioneira, do vestibular, da infraestrutura do campus, do bondinho e da modernização tecnológica da UEMA.
O levantamento da trajetória de David, a partir de sua entrevista, evidencia a dimensão da contribuição contínua dos técnicos-administrativos para a sustentação das rotinas administrativas, acadêmicas e de preservação digital da Universidade. Sua história permite compreender, de forma concreta, como esses profissionais são essenciais para o funcionamento, a continuidade e a modernização institucional ao longo das décadas.
David testemunhou e participou ativamente de vários momentos históricos da evolução da Informática na UEMA desde o período da FESM. Atuou na operação do IBM 1130, acompanhou as transformações do setor responsável pelas atividades de informática na Universidade, que, ao longo do tempo, assumiu diferentes configurações, como CPD, NPD, CIPD, NTI até a atual CTIC/UEMA, vivenciou o início da implantação da internet institucional e também os primeiros passos do site da Universidade.
Respeitado na Universidade e entre os colegas de profissão, David integra atualmente a equipe da CTIC/UEMA, formada por profissionais de atuação multidisciplinar e elevado nível técnico, permanecendo como uma das referências de um período fundador da Informática na UEMA e, por extensão, no Estado do Maranhão.
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