Contextualização da relação com a história da UEMA
Ao longo de sua carreira, sua contribuição histórica mais lembrada no Maranhão foi ter sido fundador e primeiro diretor da então
Escola de Administração Pública do Estado do Maranhão – EAPM, no período de 1966 a 1968, instituição tratada em diferentes registros como embrião do que, em processos posteriores, se conectaria à trajetória da UEMA. Esse reconhecimento aparece formalmente em notícia institucional da própria universidade, quando ele foi
recebido na Reitoria em 25 de janeiro de 2018 pelo reitor Gustavo Pereira da Costa, ocasião em que foi publicamente anunciado como fundador e primeiro diretor da Escola (1966). Anos depois, esse papel também foi reiterado em homenagem oficial do Legislativo estadual: em 11 de agosto de 2023, a Assembleia Legislativa do Maranhão concedeu a Bugarin o
Título de Cidadão Maranhense, destacando a “vasta cartela de serviços prestados ao Maranhão” e reforçando sua condição de fundador e primeiro diretor da EAPM (1966), como marco de memória e de serviços ao Estado.
Atuações e homenagem em Brasília
Em Brasília, para onde se transferiu definitivamente a partir de 1971, o entrevistado consolidou vínculo com a Universidade de Brasília – UnB, onde atuou como professor. Registros públicos recentes também indicam
homenagens acadêmicas relacionadas a sua trajetória na UnB: em 5 de dezembro de 2025, a Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (FACE/UnB), em conjunto com o LabGOVER e o EPRG, anunciou uma cerimônia de homenagem em razão de seu 90º aniversário, destacando-o como professor responsável por contribuições acadêmicas estruturantes na UnB, com participação de autoridades e docentes.
A vinda para São Luís e a formação de base que antecede a fase fundacional
Na entrevista, Bugarin organiza sua memória enfatizando que sua ligação com o Maranhão começa na infância e molda sua formação. Ao explicar sua vinda para o Estado, ele informa que o deslocamento ocorreu quando tinha apenas 2 anos, devido ao trabalho do pai no setor de navegação ligado ao porto. Ele viveu em São Luís toda a infância, adolescência, graduação e início profissional e descreve que o ambiente de trabalho desde cedo, somado às duas formações universitárias (Contábeis e Direito). Esse “preparo” é um conceito que ele retoma mais adiante, ao explicar por que se engajou na criação da Escola de Administração, para ele, a implantação foi possível porque houve coincidência entre uma oportunidade histórica do Estado e a disponibilidade de pessoas capacitadas para sustentar um projeto novo.
O contexto político-administrativo: reforma do Estado e criação da Escola de Administração Pública
O núcleo histórico do depoimento está na interpretação que Bugarin faz do período: ele afirma que o Maranhão vivia um processo de reforma e modernização, e que o
governador José Sarney, buscando qualificar e modernizar a gestão pública, estabeleceu a Escola de Administração. Na prática, isso gerou um movimento institucional conduzido pela Secretaria de Administração, então chefiada pelo Professor José Maria Cabral Marques, que publicou um edital para compor o corpo docente da escola. Bugarin afirma que ele e sua esposa, Rosa Maria Soares Bugarin, se inscreveram motivados por um compromisso com a melhoria do Estado, com inovação e com uma preocupação pública e social, destacando que sua decisão derivou da união entre “oportunidade histórica” e “preparo acadêmico e empresarial”.
Sobre a Escola de Administração Pública, precursora da FESM e posteriormente UEMA
A história da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA tem início com a criação da Escola de Administração Pública do Maranhão em São Luís, instituída pela
Lei Estadual nº 2.728, de 22 de dezembro de 1966, e regulamentada pelo
Decreto Estadual nº 3.494, de 3 de março de 1967, representou um marco na história da educação superior no Maranhão. Desde sua fundação, destacou-se como pioneira na formação de profissionais para a gestão pública, contribuindo para a modernização administrativa estadual.
O Poder Legislativo do Maranhão, por meio da Lei nº 2.728, autorizou o Poder Executivo a criar a Escola de Administração Pública do Maranhão (EAPEM) como autarquia educacional vinculada à Secretaria de Estado de Administração, com finalidade explícita de formar recursos humanos para atuação na Administração Pública estadual tanto em nível superior quanto em nível técnico. Apesar da autorização legislativa ter ocorrido em 1966, o curso começou a funcionar efetivamente em 1968, autorizado por meio do Decreto nº 1, de 3 de janeiro de 1968, emitido pelo Conselho Estadual de Educação.
A influência do ISP/UFBA e a formação metodológica dos primeiros docentes
Um dos trechos mais ricos do depoimento é a explicação de como se formou a base metodológica do corpo docente. Bugarin relata que o secretário José Maria Cabral Marques os convidou para participar de um curso sobre metodologias do ensino superior em Administração, referido como “sensitivity training”. Ele afirma que foram seis participantes do Maranhão, e que, ao retornarem, foram indicados para integrar um grupo de trabalho que estruturaria, por meio de um estatuto, a Escola Superior de Administração do Estado do Maranhão. Na visão do entrevistado, esse processo foi o ponto originou as bases institucionais e pedagógicas da Escola.
Ele detalha ainda que o Instituto de Serviço Público – ISP da Universidade Federal da Bahia – UFBA tinha papel ativo em experiências de reforma administrativa e organizou um seminário de Metodologia do Ensino em Administração para docentes de todos os estados do Nordeste. O Maranhão enviou o grupo de seis professores por indicação do secretário, incluindo Bugarin e sua esposa. Esse intercâmbio é apresentado como uma ponte de conhecimento e como elemento que supriu uma das fragilidades do período, a falta de especialistas locais na área de Administração com formação docente consolidada.
Desafios iniciais e composição do corpo docente
Ao ser questionado sobre os desafios, Bugarin informa que havia poucos especialistas com formação técnica ou docente em Administração. Esse cenário explica por que o projeto, na visão dele, precisou combinar pessoas ligadas ao ensino com quadros do Estado. Ele descreve o grupo inicial de seis professores como composto por profissionais ligados ao ensino (incluindo ele e sua esposa) e por funcionários públicos estaduais. Quando solicitado a citar colaboradores, ele não enumera nomes individualmente, mas reforça que os principais colaboradores foram justamente os professores que participaram do seminário promovido pelo ISP/BA, tornando-se os primeiros docentes efetivos e estruturantes da EAP-MA.
Seleção, perfil e desempenho da primeira turma
Bugarin registra que a seleção dos primeiros alunos foi feita pelo vestibular da Universidade Federal do Maranhão – UFMA, ou seja, o processo seletivo foi incorporado ao mecanismo de ingresso já existente e consolidado, garantindo um canal formal e competitivo para entrada no curso. A primeira turma iniciou com 25 alunos, e ele descreve que a maioria era composta por jovens oriundos da capital. Um dado marcante no depoimento é o desempenho dessa turma inaugural, a formatura ocorreu no segundo semestre de 1970, e todos os 25 alunos que iniciaram o curso se formaram, compondo integralmente a primeira leva de concluintes. Para memória institucional, esse ponto é relevante porque indica estabilidade do projeto pedagógico e retenção da turma pioneira.
Direção, marcos de atuação e contribuições consideradas históricas (1966–1971)
O entrevistado afirma que foi nomeado pelo governador José Sarney como primeiro diretor da Escola em 1966 e permaneceu no cargo até 1968, quando foi selecionado para cursar o mestrado no México. Essa informação converge com os registros institucionais que o descrevem como fundador e primeiro diretor no período 1966–1968. Ele relata que sua saída ocorreu porque foi selecionado para o Mestrado em Administração no ITESM (México) com bolsa da USAID (EUA), retornando em julho de 1970 ainda no cargo de diretor e também como professor.
Ao retornar, Bugarin registra que ministrou Contabilidade Gerencial para duas turmas de formandos, e que havia uma relação direta com o secretário José Maria Cabral Marques, que posteriormente se tornaria secretário de Educação do Estado. Embora exista esse vínculo, ele faz questão de caracterizar o curso como uma instituição independente. Nesse período, ele assinala um marco acadêmico que foi a Aula Magna, ministrada em agosto de 1970, elemento que serve como referência cronológica e simbólica de consolidação do curso no retorno do Bugarin ao Maranhão.
Quando perguntado sobre ações de impacto histórico, Bugarin enfatiza seu papel na criação do Curso Superior de Administração, destacando a autorização de funcionamento pelo conselho educacional estadual e, sobretudo, sua contribuição no desenho acadêmico do curso com a elaboração de disciplinas curriculares, construção de ementas e definição de diretrizes pedagógicas. Esse ponto é central porque referencia a passagem do projeto político-administrativo para um curso superior estruturado, que influenciaria na formação de quadros para o Estado.
Saída do Maranhão, consolidação na UnB e continuidade da trajetória
Bugarin explica que deixou São Luís em 1971, após regressar do mestrado no México, quando recebeu convite para lecionar na Universidade de Brasília – UnB, no Departamento de Administração, passando a residir definitivamente em Brasília com a família. Ele também menciona o momento institucional do desligamento em março de 1971, pouco antes da formação da Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM, solicitou seu desligamento para assumir o cargo na UnB. Essa transferência marca a conclusão do seu ciclo direto na Escola maranhense, mas não encerra o vínculo simbólico com a instituição, décadas depois, ele retorna à UEMA em visita oficial.
Estrutura física e sedes: confirmação da Praça Antônio Lobo e mudanças posteriores
No bloco sobre estrutura física, o entrevistado confirma que a primeira sede da Escola funcionou na Praça Antônio Lobo, no Centro de São Luís, e que o espaço era exclusivo para o funcionamento da instituição, sem compartilhamento com outras escolas nos primeiros anos. Ele descreve a estrutura inicial como composta por salas de aula, biblioteca, secretaria, sala dos professores e gabinete do diretor, com equipamentos usuais para a época, sem destaque de modernização excepcional. Sobre a transferência para a Avenida dos Franceses, no bairro da Alemanha, ele afirma que não participou porque estava no México e quando retornou em 1970, a Escola já estava nesse endereço.
Mensagem às novas gerações
Como mensagem final às novas gerações, ele sintetiza prioridades que, na visão dele, fortalecem a trajetória de uma universidade pública: educação continuada, construção de parcerias com outras instituições de ensino e investimento no desenvolvimento de programas e projetos de pós-graduação stricto sensu.
Síntese cronológica importância no relato
A entrevista, desenha uma linha histórica em que a criação da Escola de Administração Pública é autorizada por lei em 1966, o funcionamento do curso se consolida em 1968, a primeira turma se forma integralmente em 1970, e o entrevistado se desliga em 1971 para atuar na UnB, mantendo, contudo, reconhecimento institucional no Maranhão décadas depois, com visita oficial à Reitoria em 2018 e homenagem legislativa em 2023, culminando em homenagens acadêmicas na UnB em 2025.