Entrevista: Maria de Fátima de Castro Pinheiro

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Fatima Entrevista

Entrevistada: Maria de Fátima de Castro Pinheiro

Data de nascimento: 20 de fevereiro de 1955

Assunto: Evolução administrativa da Secretaria dos Órgão Colegiados Superiore – SOCS/UEMA nos anos 2000.

Biografia: Maria de Fátima de Castro Pinheiro nasceu em 20 de fevereiro de 1955, em São Luís (MA). Ingressou na então Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), como prestadora de serviços, em 1979, sendo contratada em 5 de janeiro de 1981, já no contexto da criação da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Ao longo de sua trajetória, trabalhou na Prefeitura do Campus, na Escola de Agronomia e na Escola de Engenharia, onde permaneceu por cerca de 15 anos e, a partir de 2009, assumiu a Secretaria dos Órgãos Colegiados Superiores (SOCS/UEMA).

É bacharel em Secretariado Executivo, com especializações em Cerimonial Universitário e em Desenvolvimento de Competências Gerenciais. Reconhecida pelo profissionalismo, dedicação e compromisso com a memória institucional, encontra-se em processo de aposentadoria, deixando como legado uma valiosa contribuição para a organização administrativa e para a história da UEMA.

Relação com a história da UEMA: Maria de Fátima de Castro Pinheiro ingressou ainda no período da FESM e acompanhou, de dentro da instituição, suas fases de implantação, crescimento e modernização. Sua atuação, especialmente nos Órgãos Colegiados Superiores (2009 a 2024), permitiu-lhe vivenciar e registrar os processos decisórios e administrativos que moldaram a universidade.

ENTREVISTA

Categoria: Memória Institucional

Data da entrevista: 10/01/2026

Local: Entrevista conduzida presencialmente no Jardim São Cristóvão, São Luís-MA.

Entrevistada: Maria de Fátima de Castro Pinheiro

Entrevistador: Getulio Vitorino de Assunção Junior (Chefe da Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)

O presente registro integra o PORTAL MEMÓRIA UEMA |dados.uema.br/portal-memoria

RESUMO DA ENTREVISTA
 
A entrevista, realizada em 10 de janeiro de 2026, registra o depoimento de Maria de Fátima de Castro Pinheiro, servidora da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, cuja trajetória profissional se confunde com a própria consolidação institucional da antiga Federação das Escolas Superiores do Maranhão – FESM e da UEMA, ao longo de mais de quatro décadas.
 
Dados pessoais e ingresso institucional
 
Maria de Fátima de Castro Pinheiro nasceu em 20 de fevereiro de 1955, em São Luís – MA. Iniciou suas atividades na FESM como prestadora de serviços, em junho de 1979, sendo formalmente contratada em 5 de janeiro de 1981, já no processo de transição para a UEMA. Ingressou muito jovem na instituição, com 17 anos, após indicação de uma amiga que apresentou seu currículo. Foi entrevistada e aprovada para o cargo de agente administrativa.
 
Atuação na FESM e primeiros anos no Campus São Luís
 
Desde o início, trabalhou no Campus São Luís, ainda no período em que a FESM compartilhava o espaço com outros órgãos estaduais, como a SAGRIMA, e estruturas vinculadas à EMAPA, a exemplo do Laboratório de Sementes. Lembra-se da Granja Modelo, que ainda funcionava no local.
O acesso ao campus era precário: havia uma ponte de madeira, onde inclusive ocorreu um acidente envolvendo uma professora, e o transporte coletivo era feito pela linha COHAPAM/FESM. Parte da FESM funcionava fora do campus: o curso de Administração já operava no bairro Alemanha, enquanto o curso de Engenharia Civil funcionava dentro do campus da UFMA, no Bacanga. Posteriormente, no governo João Castelo, foi construído o prédio que hoje abriga o Centro de Ciências Sociais Aplicadas – CCSA, permitindo a transferência do curso de Administração para o Campus Paulo VI.
 
Rotina de trabalho e cursos existentes
 
Na década de 1970, a rotina institucional concentrava-se no horário das 7h às 13h, pois ainda não havia cursos noturnos de licenciatura. Os cursos existentes no campus eram Agronomia e Medicina Veterinária, aos quais se somaram posteriormente Administração e Engenharia Civil.
 
O bondinho do campus
 
Fátima apresenta um relato detalhado sobre o bondinho da UEMA, que era fundamental para a circulação interna, já que os ônibus não adentravam o campus. Os usuários desembarcavam na entrada e caminhavam até a estação do bondinho, localizada ao lado de onde hoje funciona o curso de Biologia.
O bondinho transportava servidores, professores e estudantes, parando conforme a necessidade, dada a grande distância entre os poucos prédios existentes. Como era de estrutura aberta, os usuários se molhavam em dias de chuva, embora o trajeto rápido minimizasse o desconforto. Segundo ela, o bondinho não era apenas funcional, mas também agradável, sendo uma necessidade logística do campus.
 
Trajetória funcional dentro da UEMA
 
Seu primeiro local de trabalho foi a Prefeitura do Campus, então situada onde hoje funciona o Segundo Juizado Especial Cível, sob a gestão do prefeito José Tadeu Moura Serra, permanecendo ali de 1979 a 1981.
Em seguida, atuou na Escola de Agronomia entre 1981 e 1983, e depois na Escola de Engenharia, onde permaneceu por 15 anos. Posteriormente, foi convidada a assumir funções na Reitoria, ingressando diretamente como secretária dos Órgãos Colegiados Superiores, cargo que assumiu em 2009, após o falecimento de sua antecessora, Ivana Maria Metri Pereira, a convite do então vice-reitor Gustavo Pereira da Costa.
 
Secretaria dos Órgãos Colegiados Superiores (SOCS)
 
Fátima explica que, na época da FESM, o setor chamava-se Secretaria Geral, responsável apenas por dois conselhos: o Conselho Universitário e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão, sendo o Conselho de Administração uma criação posterior. As reuniões sempre foram públicas, e ela chegou a participar como ouvinte ainda no início de sua trajetória, muito antes de ser secretária da SOCS/UEMA, para compreender os processos decisórios.
Ao assumir a SOCS, encontrou uma estrutura extremamente precária, com procedimentos majoritariamente manuais. Convocações eram feitas por mensageiros; os processos eram volumosos e impressos, com muitos documentos fotocopiados, que muitas vezes não eram lidos pelos conselheiros. A partir de sua gestão, promoveu uma evolução administrativa, solicitando computadores e impressoras, implementando o envio eletrônico de documentos e criando e-mails institucionais para os conselheiros. Mesmo havendo um computador disponível anteriormente, ele era subutilizado.
Inicialmente, a SOCS não possuía equipe fixa: trabalhava apenas com apoio eventual, especialmente de Luiz Gustavo (prestador de serviços) e, nas colações de grau, de Lídia (já falecida). Durante anos, a SOCS também organizou colações de grau, chegando a realizar eventos com 800 a 900 formandos, contando com apenas duas pessoas, e realizando constantes viagens ao interior do Estado. Com o tempo, conseguiu estruturar uma equipe maior para essa função. Em 2015, a atribuição de organizar as colações de grau foi transferida da SOCS para a Assessoria de Comunicação – ASCOM e, atualmente, é responsabilidade da Assessoria de Cerimonial e Eventos – ASCEV.
 
Reuniões marcantes e memória institucional
 
Entre os momentos mais marcantes de sua memória, destaca-se uma reunião do Conselho Universitário, por volta de 1993–1994, em que sindicatos e associações pleitearam o reconhecimento dos servidores oriundos da FESM como servidores efetivos da UEMA, com base na lei de criação da universidade. Apesar da forte carga emocional e das expectativas, o reconhecimento não ocorreu, fato que marcou profundamente os servidores da época.
 
Formação acadêmica e especializações
 
Fátima integrou a primeira turma da UEMA, sendo aprovada em primeiro lugar no vestibular do curso superior de Secretariado. Posteriormente, migrou para o bacharelado em Secretariado Executivo, com apoio institucional, cursando a formação na Faculdade FAMA, com as despesas custeadas pela UEMA. Possui diversas especializações, destacando-se a de Cerimonial Universitário, área em que é uma das poucas especialistas na instituição, além de especializações em Desenvolvimento de Competências Gerenciais e na área de Secretariado.
 
Desafios institucionais e compromisso profissional
 
Durante sua trajetória na UEMA, Fátima relata dificuldades recorrentes, especialmente relacionadas à escassez de pessoal e à burocracia administrativa. Em uma ocasião, precisou custear viagens com recursos próprios, sem possibilidade de ressarcimento posterior, em razão de impedimentos da auditoria. Ainda assim, ressalta que o compromisso profissional e institucional sempre prevaleceu.
 
Situação atual e mensagem final
 
No momento da entrevista, Maria de Fátima encontrava-se em processo de aposentadoria há um ano e três meses. Ao final, deixa uma mensagem aos novos profissionais da UEMA, enfatizando que a universidade é um espaço privilegiado para o conhecimento, ressaltando que o saber adquirido é um patrimônio pessoal que ninguém pode retirar.
A entrevista revela uma trajetória marcada por dedicação, pioneirismo administrativo, compromisso com a modernização institucional e profunda identificação com a história e a missão da UEMA.

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