1. O entrevistado: trajetória acadêmica, administrativa e cultural
Joaquim Vilanova Assunção Neto, também conhecido no meio literário como Quincas Vilaneto, é natural de Caxias (MA), onde nasceu em 24 de maio de 1957. Filho de Raimundo Vilanova Assunção e Terezinha de Jesus Maranhão Assunção, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação, a cultura e o serviço público. É graduado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Maranhão, tendo concluído sua formação em 1987.
Além da carreira administrativa, Joaquim possui destacada atuação intelectual e cultural, sendo membro da Academia Caxiense de Letras (ACL) e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias (IHGC), com vasta produção literária e historiográfica. Essa formação humanística influencia diretamente sua visão de gestão pública, pautada pela memória institucional, pelo cuidado com as pessoas e pela responsabilidade social.
Servidor aposentado da UEMA, Joaquim foi reconduzido ao cargo em comissão para exercer a função de gerente do Restaurante Universitário, unidade vinculada à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis – PROEXAE, espaço no qual atuou desde os tempos de estudante e que se tornou o eixo central de sua trajetória profissional dentro da universidade.
2. Origem e primeiros anos do Restaurante Universitário
O Restaurante Universitário da UEMA foi inaugurado entre 1978 e 1979, em um contexto de consolidação da então jovem universidade. Em seus primeiros anos, o RU era integralmente administrado por servidores da própria UEMA, responsáveis tanto pela gestão quanto pelas compras e pela oferta de alimentação adequada à comunidade universitária.
Nesse período inicial, o restaurante servia cerca de 100 refeições diárias, número que rapidamente passou para 200, acompanhando o crescimento da comunidade acadêmica. Joaquim Assunção iniciou sua atuação no RU ainda como estagiário e, posteriormente, como funcionário de nível médio da Secretaria de Administração à disposição da UEMA, lotado no RU em 1982, quando o restaurante era dirigido pelo professor Joaquim Teixeira Lopes (Juca), docente do Curso de Física da UEMA.
3. Primeira gestão de Joaquim no RU (década de 1980)
Com a saída do professor Juca, em meados de 1984–1985, motivada por sua dedicação à vida política e à candidatura à Reitoria, Joaquim assumiu a direção do Restaurante Universitário, função que exerceu até 1992. Esse período coincidiu com importantes transições institucionais na universidade e com o fortalecimento do RU como serviço essencial ao cotidiano acadêmico.
A equipe do restaurante era composta majoritariamente por servidores da UEMA, muitos oriundos de outros setores. Destacam-se figuras históricas como Conceição Damasceno, chefe de cozinha, e Catarino, magarefe, além de auxiliares e assistentes que dominavam as rotinas de preparo e distribuição de alimentos.
4. A gratuidade da refeição e o papel social do RU
Um dos marcos mais relevantes da história do RU foi a implantação da gratuidade das refeições, durante a gestão do reitor César Henrique Santos Pires. Segundo Joaquim, a medida resultou de forte reivindicação da comunidade universitária, apoiada por entidades representativas, e foi aprovada em instâncias colegiadas.
A partir dessa decisão, o Restaurante Universitário consolidou-se como política pública de permanência estudantil, sendo mantido gratuito até os dias atuais pela instituição. Em períodos letivos regulares, o RU chega a atender cerca de 3 mil pessoas por dia, entre estudantes, docentes e servidores, sendo reconhecido pelo entrevistado como um dos poucos (senão o único) restaurantes universitários gratuitos do país em funcionamento contínuo e em larga escala.
5. Atuação administrativa fora do RU e preservação da memória
Após deixar a direção do restaurante, Joaquim passou a atuar na área de gestão de pessoal da universidade, onde permaneceu por aproximadamente 13 anos. Nesse período, destacou-se pela organização de arquivos funcionais e pela preservação documental, ciente da importância de registrar e salvaguardar a história administrativa da UEMA.
O entrevistado ressalta que, embora jovem, a universidade possui uma trajetória rica, iniciada ainda em 1966, com a criação da Escola de Administração em Caxias, seguida pelos cursos de Engenharia, Agronomia e a Faculdade de Imperatriz. Essa consciência histórica permeia sua atuação no RU e sua defesa da memória institucional.
6. Retorno ao RU e processo de reestruturação (2015)
Joaquim retornou à gestão do Restaurante Universitário entre 2015 e 2016, a convite da administração superior, em um momento crítico. O RU enfrentava insatisfação da comunidade, e a estratégia adotada para a recuperação baseou-se em gestão presencial, escuta ativa da empresa contratada, aplicação de pesquisas de satisfação e reestruturação dos contratos.
Segundo o entrevistado, a mudança não ocorreu por substituição de equipes, mas por orientação, acompanhamento rigoroso e correção de processos. O resultado foi a recuperação gradual da confiança da comunidade e a transformação do RU em referência positiva dentro e fora da universidade.
7. Funcionamento atual, logística e ampliação dos serviços
Atualmente, o Restaurante Universitário opera com controle informatizado de acesso, relatórios diários de consumo e projeção permanente de demanda. O cardápio oferece diversidade alimentar, com múltiplas opções de pratos, proteínas e frutas, aliando qualidade nutricional e respeito às normas sanitárias.
Desde 13 de março de 2023, o RU passou a oferecer também o jantar, ampliando sua função social e fortalecendo a permanência estudantil. O restaurante mantém atendimento mesmo durante períodos de férias acadêmicas, servindo alunos de cursos especiais, professores e servidores ativos. Também fornece refeições transportadas (“quentinhas”) para setores estratégicos da universidade que não podem se deslocar no horário de almoço.
8. Infraestrutura, limites físicos e desafios futuros
O prédio do RU mantém, em grande parte, sua estrutura original, o que impõe desafios diante do crescimento contínuo da demanda. Joaquim destaca a necessidade de substituição de equipamentos, implantação de portas de emergência (em fase de estudo de viabilidade) e ampliação física do restaurante.
Há expectativa de incorporação de áreas atualmente ocupadas por outros setores dentro da própria edificação do RU, o que permitirá reorganizar fluxos, reduzir filas e ampliar a capacidade de atendimento, sempre respeitando as normas vigentes.
9. Sustentabilidade ambiental e boas práticas
Desde 2016–2017, o RU desenvolve ações estruturadas de sustentabilidade, em parceria com setores acadêmicos, como a Superintendência de Gestão Ambiental (AGA). Entre as iniciativas, destacam-se:
● coleta seletiva de resíduos;
● reaproveitamento de óleo de cozinha para produção de sabão;
● reciclagem de garrafas PET;
● eliminação do uso de copos plásticos;
● monitoramento laboratorial periódico da água;
● compostagem integral dos resíduos orgânicos, transformados em húmus utilizado em atividades acadêmicas e paisagísticas.
Essas práticas consolidam o RU como espaço de alimentação, educação ambiental e responsabilidade socioinstitucional.
10. O RU como expressão do compromisso público da UEMA
Ao longo da entrevista, Joaquim define o Restaurante Universitário como uma das unidades mais importantes da UEMA, essencial para a inclusão, permanência estudantil e o bem-estar da comunidade, ao viabilizar a igualdade de oportunidades entre todos e contribuir para a melhoria do desempenho acadêmico, a partir de medidas que buscam combater a repetência e a evasão.
Para ele, gerir o RU é muito mais do que eliminar o desconforto físico de estar com fome ou sede: é servir pessoas, com dignidade, cuidado e respeito, alinhando os objetivos individuais com os da Universidade.