Entrevista: Alcindo Barros

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Alcindo Barros Ascom

Entrevistado: Alcindo Barros de Morais Neto

Data de nascimento: 20 de setembro de 1961.

Relação com a história da UEMA: Alcindo Barros está diretamente ligado à estruturação, consolidação e modernização da Comunicação Institucional da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Como primeiro assessor de comunicação da instituição, na criação da ASCOM/UEMA, implantou o primeiro jornal impresso, fortaleceu a relação com a imprensa e conduziu a transição do modelo impresso para o ambiente digital, acompanhando o início da publicação de notícias no site institucional. Sua trajetória confunde-se com a própria história da comunicação universitária da UEMA.

Biografia: Alcindo Barros de Morais Neto, nascido em 20 de setembro de 1961, no povoado Araim, município de Passagem Franca (MA), mudou-se para São Luís em fevereiro de 1980, após estudar em Buriti Bravo (MA). Ainda no final dos anos 80, iniciou sua trajetória nas secretarias de Estado da Saúde, Cultura e Educação, desenvolvendo, paralelamente, atividades culturais e cinematográficas.

 

Em 5 de abril de 1994, ingressou na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), consolidando a carreira profissional em comunicação institucional, onde criou e estruturou a Assessoria de Comunicação, tornando-se o primeiro assessor de comunicação da instituição, função que exerceu por 20 anos. Instituiu o primeiro jornal impresso da UEMA, o “Jornal da UEMA”, depois o “UEMA Notícia”, este com o encarte cultural “Canto à Beira-Mar”, além de acompanhar a transição para a comunicação digital, com a implantação da publicação regular de notícias no site institucional. Com mais de 32 anos de vínculo funcional, também se destaca como escritor e poeta, tendo publicado seu primeiro livro aos 26 anos (sendo 5 livros no total), com temas voltados para a política, amor, existência e espiritualidade, o que reafirma seu compromisso com a cultura e o orgulho de ser UEMA.

ENTREVISTA

Assunto: A evolução da Comunicação Institucional da UEMA

Categoria: Memória Institucional

Data: 30 de dezembro de 2025

Local: Entrevista conduzida presencialmente na Reitoria da UEMA

Entrevistado: Alcindo Barros de Morais Neto 

Entrevistador: Getúlio Vitorino de Assunção Júnior (Assessoria de Gestão de Dados Estratégicos – ASSGDE/UEMA)

O presente registro integra o PORTAL MEMÓRIA UEMA |dados.uema.br/portal-memoria

RESUMO DA ENTREVISTA
A entrevista realizada em 30 de dezembro de 2025, na Reitoria da UEMA, registra o depoimento de Alcindo Barros de Morais Neto, profissional que construiu uma trajetória profundamente vinculada à comunicação institucional e à história da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), da qual foi o primeiro assessor de comunicação, onde atuou por duas décadas.
 
ORIGEM E CEHGADA A SÃO LUÍS
Alcindo nasceu em 20 de setembro de 1961, no povoado Araim, município de Passagem Franca – MA. É filho de Sebastião Antônio de Morais e Margarida Barros de Morais. Ainda jovem, deixou o interior do Estado em busca de melhores oportunidades. Após estudar entre 1973 e 1980 na cidade de Buriti-Bravo, onde residia com seus irmãos. Na época, sentiu que precisava ampliar seus horizontes, movido pelo desejo de crescimento pessoal e profissional, mudou-se para São Luís aos 19 anos, chegando à capital maranhense, em fevereiro de 1980, passando a morar inicialmente no bairro Bequimão.
 
PRIMEIRAS EXPERIÊNCIAS NA COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL
Antes de ingressar na UEMA, Alcindo atuou profissionalmente na comunicação institucional do Estado do Maranhão, trabalhando na Assessoria de Comunicação da Secretaria de Saúde, sendo depois transferido para a Secretaria de Cultura e, em seguida, para a Secretaria de Educação, onde permaneceu por um tempo mais longo. Mesmo nesse período, mantinha o sonho de ir para a UEMA, instituição próxima à sua residência e, que, sempre despertou interesse pessoal e profissional.
 
O INÍCIO DA ASCOM/UEMA
O ingresso na universidade ocorreu em um contexto muito interessante. Durante a gestão do então vice-reitor Waldir Maranhão Cardoso, que, posteriormente, assumiria a Reitoria, Alcindo foi convidado a estruturar um setor que até então não existia formalmente na instituição: a Assessoria de Comunicação. Em 5 de abril de 1994, por meio de portaria, Alcindo assumiu oficialmente a função, tornando-se o primeiro assessor de comunicação da UEMA, cargo que exerceu por 20 anos como assessor-chefe.
No início, sua atuação ocorreu em condições bastante difíceis. Não havia equipe, estrutura administrativa nem equipamentos adequados. A assessoria dispunha apenas de uma máquina fotográfica, e, ainda, acumulava todas as funções: produção de textos, cobertura fotográfica, entrevistas, cerimonial, relacionamento com a imprensa e divulgação institucional. Durante cerca de cinco a seis anos, trabalhou praticamente sozinho, acompanhando eventos na capital e no interior do Estado, atendendo demandas constantes da universidade em um período de intensa expansão.
 
O JORNAL “UEMA NOTÍCIA” E A CONSOLIDAÇÃO DO MODELO IMPRESSO
Mesmo diante dessas limitações, Alcindo foi responsável pela criação de importantes produtos institucionais de comunicação. Entre 1996 e 1997, idealizou e produziu o primeiro jornal da UEMA, inicialmente com quatro páginas e, posteriormente, ampliado para doze páginas. Dentro desse jornal, criou o “Canto à Beira-Mar”, uma página cultural com identidade própria, voltada à produção artística e cultural. O jornal, conhecido como “UEMA Notícia”, era amplamente distribuído, chegando a secretarias estaduais, órgãos de governo, prefeituras, deputados estaduais e federais, senadores e diversas instituições em todo o Maranhão.
Além do jornal, foram produzidos boletins informativos especiais, inclusive para eventos de grande relevância, como o Fórum de Reitores, realizado em São Luís, na gestão do professor José Augusto. Um desses boletins chegou a ser lançado na sede da ABRUEM, em Brasília, demonstrando o amplo trabalho da comunicação desenvolvido à época. Paralelamente, Alcindo consolidou a presença da UEMA nos meios de comunicação tradicionais, promovendo entrevistas constantes em rádios, jornais impressos e emissoras de televisão. Durante os períodos de vestibular, a cobertura da imprensa era mais intensa, tanto nas etapas de aplicação das provas quanto na divulgação dos resultados.
 
RELAÇÃO COM A IMPRENSA E O FORTALECIMENTO DA IMAGEM DA EDUCAÇÃO SUPERIOR PÚBLICA
A atuação da assessoria também incluiu a aproximação sistemática da universidade com os veículos de imprensa. Alcindo organizou visitas de reitores aos jornais e emissoras, estimulando a apresentação institucional da UEMA à sociedade maranhense. Programas de entrevistas com reitores, professores e pesquisadores tornaram-se frequentes, o que veio fortalecer a imagem pública da universidade em um período anterior à internet.
 
A COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL NA ERA DA INTERNET
Com a chegada da internet, a dinâmica da comunicação institucional foi gradualmente transformada. Embora Alcindo não se recorde da data exata da primeira publicação no site da UEMA, ele relata que, já nesse período, a instituição produzia em média sete a dez matérias diárias para o portal institucional, mantendo também o envio de conteúdos para rádio, televisão e jornais impressos. Posteriormente, com o surgimento das redes sociais, entre 2013 e 2014, a comunicação passou a incorporar novas linguagens e canais, ampliando ainda mais o alcance institucional.
 
ESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DA ASCOM/UEMA
Ao longo dos anos, a assessoria foi se estruturando, estagiários passaram a integrar a equipe e, gradualmente, o setor recebeu mais jornalistas, permitindo, assim, maiores avanços na produção de conteúdos. Esse período coincidiu com fases marcantes da universidade, como a expansão dos campi (à época denominados centros), a criação do Núcleo de Educação a Distância(NEAD), a ampliação de cursos e o fortalecimento da pós-graduação.
 
Alcindo também descreve a evolução da infraestrutura da UEMA. Quando chegou, eram poucos centros no interior do Estado, muitos funcionavam em prédios cedidos pelas prefeituras, e a estrutura física era básica. Com o passar do tempo, cada gestor contribuiu para a melhoria estrutural e intelectual da instituição, culminando na consolidação, hoje, de uma universidade com cursos de mestrado e doutorado próprios, infraestrutura ampliada e reconhecimento nacional.
 
PRODUÇÃO LITERÁRIA E ATUAÇÃO CULTURAL
A carreira literária de Alcindo Barros de Morais Neto desenvolveu-se paralelamente à sua atuação na comunicação institucional, tendo origem ainda na infância, quando já demonstrava inclinação para a escrita e a poesia. Na década de 1980, em São Luís, seu contato com o ambiente cultural e com intelectuais mais experientes foi decisivo para o amadurecimento de sua produção literária. Leitor assíduo, Alcindo reconhece como influência fundamental o escritor Aluísio Azevedo, além da tradição literária maranhense representada por nomes como José Chagas, Pe. Mohana, Alex Brasil e Jomar Moraes, referências que contribuíram para sua formação estética e crítica.
Ainda jovem, publicou seu primeiro livro, marco que consolidou sua identidade como escritor e lhe deu perspectiva de continuidade na literatura. Suas obras iniciais abordam temas amplos e sensíveis, como política, amor, relações humanas, existência, futuro e espiritualidade, sempre com forte carga reflexiva e linguagem pessoal. Alcindo também é autor do poema “Renúncia”, no qual utiliza lirismo e ironia para tratar de liberdade, memória e identidade, texto que frequentemente abre registros audiovisuais de sua produção cultural. Além da publicação de livros, mantém produção poética contínua e projetos de difusão digital de seus escritos.
 
A UEMA NA VIDA PESSOAL E FAMILIAR DE ALCINDO BARROS
No plano pessoal, Alcindo expressa profundo vínculo afetivo com a UEMA. Inicialmente, atuou como servidor cedido, ocupando cargo comissionado. Anos mais tarde, foi surpreendido positivamente ao ser transferido oficialmente para o quadro da UEMA, por iniciativa do então secretário de Administração Luciano Moreira, fato que considera um dos momentos mais marcantes de sua trajetória. Atualmente, soma mais de 32 anos de vínculo funcional com a instituição, mantendo uma rotina disciplinada, chegando diariamente por volta das 7h15 e sendo, segundo ele próprio, um dos últimos a deixar o local de trabalho.
Esse vínculo foi ainda mais fortalecido pelo fato de seus dois filhos terem se formado na UEMA. Camila Silva de Morais concluiu o curso de Medicina Veterinária na instituição, realizando também o mestrado na UEMA e o doutorado na UFMA. Já Diogo Silva de Morais, formou-se em Medicina Bacharelado no Campus da UEMA em Caxias. Para Alcindo, ver os filhos graduados pela universidade, onde construiu sua carreira, representa o “coroamento” de sua trajetória.
 
ORGULHO DE SER UEMA: CONSELHOS E TESTEMUNHO FINAL
Ao final da entrevista, Alcindo deixa uma mensagem dirigida às novas gerações que constroem e continuarão a construir a história da UEMA. Ressalta que a universidade é dinâmica, formada por pessoas que passaram, permanecem ou ainda chegarão, mas que o elemento essencial é o orgulho de pertencer à universidade. Defende que trabalhar na UEMA exige amor à instituição, compromisso e dedicação, pois, segundo seu testemunho, a academia retribui esse esforço com realização pessoal, profissional e humana. Para ele, a UEMA é mais que um local de trabalho: “é refúgio, espaço de vida, memória e identidade”.
 

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