RESUMO DA ENTREVISTA
Nesta entrevista, registra-se o depoimento de Francisco Alves da Silva, conhecido como Chiquinho, servidor cuja trajetória profissional acompanhou a história de implantação, consolidação e expansão da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Natural de Urbano Santos (MA), nascido em 1959, Francisco Alves ingressou na então Federação das Escolas Superiores do Maranhão (FESM), precursora da UEMA, em 7 de agosto de 1978, em seu primeiro emprego formal, contratado sob o regime da CLT.
A mudança do Centro da Cidade para o Campus São Luís
Francisco relata ter participado diretamente do processo de mudança física e administrativa da FESM para a Cidade Universitária Paulo VI. À época, a Reitoria funcionava na Praça Antônio Lobo, no Centro da cidade, enquanto alguns cursos — como Agronomia e Medicina Veterinária — já se encontravam instalados no novo campus. Segundo seu relato, o Setor de Pessoal funcionava provisoriamente no prédio que hoje abriga a atual Pró-Reitoria de Graduação – PROG.
Acesso e transporte ao campus
Ao rememorar a ambiência do Campus São Luís no final da década de 1970, Francisco Alves descreve um espaço com poucos prédios, vasta área de mato, inexistência de arruamento interno e apenas uma via asfaltada principal, hoje sendo a Av. Milton Santos. O acesso era dificultado por problemas recorrentes na antiga ponte de madeira — hoje de concreto — na Av. Lourenço Vieira da Silva, sobre o Rio Paciência, frequentemente levada pelas águas no período chuvoso. Isso obrigava servidores, docentes e estudantes a utilizarem rotas alternativas por áreas do então Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), atual IBAMA. Essa situação foi, inclusive, relembrada pelo atual governador Carlos Brandão, egresso da UEMA na época, durante a inauguração do Ginásio do Núcleo de Esporte e Lazer (NEL), no Campus São Luís. O transporte coletivo era limitado e operado por empresas privadas, como a Cetracol, que mantinha linha específica (FESM/COHAPAN) para atendimento da comunidade universitária, com poucos ônibus disponíveis.
Trajetória na UEMA
Ao longo de sua vida funcional, Francisco atuou em diferentes setores da Universidade, com destaque para a Divisão de Pessoal e a Reitoria. Iniciou sua trajetória como servidor de serviços gerais, desempenhando atividades operacionais e de limpeza. Em seu depoimento, destaca a importância do professor Celso Coutinho Batista, então chefe da Divisão de Pessoal, que reconheceu seu potencial, incentivou sua qualificação e lhe proporcionou oportunidades de crescimento funcional. Após cursos de capacitação, especialmente na área de arquivo, passou a exercer atividades administrativas, assumindo responsabilidades relacionadas à organização documental e gestão de pastas de arquivos.
Do Departamento de Educação Física ao NEL
Entre 2002 e 2003, Francisco Alves passou a atuar no então Departamento de Educação Física da UEMA, precursos do Núcleo de Esporte e Lazer – NEL da Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Estudantis – PROEXAE, setor que, naquele período, possuía forte centralidade acadêmica, uma vez que a disciplina de Educação Física era obrigatória para os cursos de graduação, com carga horária de 120 horas. O entrevistado descreve a intensa rotina de aulas, com múltiplas turmas e grande número de estudantes (40 por turma), distribuídos entre modalidades como futsal, voleibol, musculação e aeróbica. Em seu relato, registra nomes de professores que marcaram essa fase, entre eles: José Nilson Alves Andrade, José Carlos Sousa de Aquino, Sandow de Jesus Goiabeira Feques, Edilson Penha Alves e Djanete Mendonça Ramos Miranda.
O professor José Nilson Alves Andrade ocupa papel central no depoimento. Segundo Francisco Alves, José Nilson foi o principal articulador das políticas e práticas esportivas da Universidade desde a década de 1970, liderando a organização de campeonatos, olimpíadas universitárias e ações de integração entre os campi. Francisco atuou como seu secretário por mais de duas décadas, destacando seu rigor administrativo, organização e compromisso com a instituição.
Infraestrutura do campus em seu início
A entrevista também contribui para a memória da infraestrutura do campus, especialmente no campo esportivo e cultural. Francisco informou que a Prefeitura do Campus, cujo prefeito era José Tadeu Moura Serra, funcionava onde hoje está a sede do 2º Juizado Cível no Campus da UEMA. Relata que, antes da existência de quadras adequadas, muitas atividades eram realizadas em espaços improvisados onde hoje é o Diretório Acadêmico do Campus São Luís. Com a construção do Centro de Convenções, delegações esportivas dos campi do interior eram alojadas nos auditórios, que também abrigava academia e desempenhava múltiplas funções institucionais colações de grau.
Bondinho da UEMA
Outro registro relevante refere-se ao bondinho do campus, elemento simbólico da memória universitária. O entrevistado descreve sua inauguração com a presença de autoridades nacionais, os problemas técnicos iniciais e o trabalho dos servidores responsáveis por sua operação, como Carmélio e Denisal. Relata ainda o uso cotidiano do bondinho para deslocamento interno, especialmente no transporte de documentos, evidenciando sua importância funcional naquele contexto histórico.
Evolução pessoal
No aspecto pessoal, Francisco Alves expressa forte sentimento de pertencimento à Universidade. Seu depoimento evidencia o vínculo construído com estudantes e servidores ao longo de décadas, o reconhecimento recebido de ex-alunos e a percepção da UEMA como espaço central de sua vida social e profissional. Ao final da entrevista, deixa como mensagem às novas gerações a compreensão da Universidade como patrimônio coletivo, ressaltando a necessidade de compromisso institucional, continuidade administrativa e valorização da memória histórica.
Este registro oral, aqui sistematizado e analisado, constitui fonte relevante para a reconstrução da história da UEMA, oferecendo um olhar interno sobre a implantação do campus, a evolução administrativa e esportiva da Universidade e o papel fundamental dos servidores técnicos na consolidação da Universidade Estadual do Maranhão.